Reuniões de Mitchell em busca do diálogo acaba sem acordo

Abbas e Netanyahu não aceitaram reduzir exigências para retomada de negociaçaões de paz

Efe,

18 de setembro de 2009 | 10h47

As reuniões do enviado especial dos EUA para assuntos do Oriente Médio, George Mitchell, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acabaram sem acordo nesta sexta-feira, 18. As partes não obtiveram reduções nas exigências para retomar as negociações de paz entre o Estado judeu e o país árabe.

 

"Gostaríamos de atender ao presidente Obama, mas Israel não se compromete a uma paralisação total da atividade nos assentamentos. Não é aceitável nem para nós, nem para os americanos", , disse Saeb Erekat, chefe de negociação palestino, após o encontro de Mitchell com Abbas, que precedeu a nova reunião, em Jerusalém, entre Mitchell e Netanyahu.

 

A agência oficial palestina Wafa informou que Mitchell reconheceu a Abbas que não tinha conseguido que Netanyahu retirasse sua recusa em parar a ampliação dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia, na reunião que tiveram pela manhã.

 

A paralisação completa da expansão dos assentamentos é a condição dos palestinos para retomar o diálogo, em linha com as obrigações do Estado judeu no Mapa do Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri, composto por EUA, União Europeia, ONU e Rússia. Mitchell tentou em Ramala, sem sucesso, convencer o presidente da ANP a reduzir suas exigências para retomar as negociações políticas com Israel.

 

Sobre a reunião do americano com Netanyahu, uma fonte oficial israelense disse que Israel poderia congelar a expansão dos assentamentos da Cisjordânia durante um período superior aos seis meses propostos, mas não por um ano inteiro, como exige Washington. Israel aceitará ampliar o congelamento além de seis meses - possivelmente nove meses, mas menos de um ano," disse a fonte a jornalistas, pedindo anonimato.

 

Na noite da quinta-feira, em entrevista à televisão israelense, Netanyahu deixou claro que se "congelar" a atividade nos assentamentos "significa zero construção", então "certamente" não haverá acordo. "Há 2,4 mil casas atualmente em construção e outras 500 aprovadas. Querem chamar isso de 'congelamento'? Eu não chamo assim. Chamo de arrefecimento na construção e estou disposto a fazer isso para ajudar o processo (diplomático) e, em paralelo, preservar a vida normal dos residentes dos assentamentos", disse.

 

A Casa Branca trabalha contra o relógio para que Netanyahu, Abbas e Obama retornem à mesa de negociações, com uma reunião na próxima semana em Nova York, durante a reunião da Assembleia Geral da ONU.

 

Após as reunião, fontes oficiais palestinas disseram à edição digital do jornal Yedioth Ahronoth que as possibilidades de que o encontro finalmente ocorra são poucas. Uma fonte oficial da ANP reconheceu ao jornal The Jerusalem Post que Abbas estuda ir ao encontro de Nova York apenas devido à pressão de Washington.

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