Reuters busca explicação para prisão de cinegrafista no Iraque

A Reuters pediu na quinta-feira que osmilitares norte-americanos libertem imediatamente umcinegrafista iraquiano detido quando trabalhava para a agência,ou então que apresentem provas que justifiquem sua prisão. Ali Al Mashhadani, que também presta serviços à BBC e àRádio Pública Nacional dos EUA, foi detido no sábado na ZonaVerde (bairro dos prédios públicos em Bagdá), onde estavapleiteando um credenciamento junto aos militares dos EUA. Não é a primeira vez que Mashhadani é preso, mas ele nuncafoi acusado formalmente de nada. O cinegrafista vive em Ramadi,capital da antes turbulenta província de Anbar, a oeste deBagdá. "Quaisquer acusações contra um jornalista deveriam serdivulgadas publicamente e tratadas de forma justa, com ojornalista tendo direito a amparo e a apresentar uma defesa",disse o editor-chefe da Reuters, David Schlesinger. "Os jornalistas iraquianos como Mashhadani têm um papelvital em contar esta história ao mundo", acrescentou. A BBC se disse preocupada com a notícia da prisão doprofissional. "Pedimos aos militares dos EUA que revelem comurgência as razões pelas quais ele está sendo detido e quais asacusações que ele enfrenta, se é que existem", disse umporta-voz da emissora britânica de rádio e TV. Um porta-voz militar dos EUA disse que Mashhadani estápreso no quartel-penitenciária de Cropper, perto do aeroportode Bagdá. "Ele está sendo detido porque foi avaliado como sendo umaameaça à segurança do Iraque e das forças da coalizão", disse oporta-voz, sem entrar em detalhes. Esse porta-voz disse que o caso dele será analisado nocomeço da semana que vem. Os militares argumentam que, sob omandato da ONU que regulamenta a presença dos soldadosestrangeiros no Iraque, os militares podem prenderindefinidamente qualquer um que seja considerado uma ameaça. Mashhadani foi detido pela primeira vez em agosto de 2005,quando soldados dos EUA entraram em sua casa e viram fotos evídeos mostrando insurgentes árabes de Anbar. Ele ficou presoaté janeiro de 2006, e em meados daquele ano voltaria para acadeia por mais duas semanas. A vasta e desértica Anbar já foi a região mais perigosapara as tropas dos EUA no Iraque, mas hoje em dia é uma dasmais seguras. A Reuters e entidades internacionais de proteção à imprensajá haviam criticado anteriormente a recusa dos militares emtratar com mais rapidez os casos de jornalistas que despertamsuspeitas devido ao seu trabalho legítimo. A Reuters disse que continua empenhada em melhorar ascomunicações com os militares dos EUA, de modo a evitarsituações em que surjam dúvidas sobre a atividade deprofissionais que cobrem a violência no Iraque. ALGEMAS E CAPUZ Dois jornalistas iraquianos que estavam no departamentomilitar de imprensa no momento da detenção de Mashhadani, nosábado, disseram que soldados dos EUA apareceram de repente elevaram o profissional embora. Duas outras testemunhas disseram à Reuters que estavam emfrente ao departamento de imprensa logo depois disso quandoviram soldados levando um homem algemado e encapuzado. Forças dos EUA já mantiveram outros repórteres iraquianos,alguns deles a serviço da Reuters, como prisioneiros durantelongos períodos, sem no entanto atribuírem acusações formais. Em abril, os militares dos EUA libertaram um fotógrafovencedor do Prêmio Pulitzer que trabalhava para a AssociatedPress. O profissional Bilal Hussein passara dois anos preso semser processado, embora tenha sido acusado pelos militares decolaboração com insurgentes. A agência norte-americana AP negourepetidamente as acusações. Neste mês, a AP informou que as autoridades decidirammanter preso por mais seis meses um cinegrafista iraquiano quehavia sido detido em junho quando trabalhava para a agência. Os militares atribuíram a decisão a "razões imperativas desegurança" e não deram detalhes sobre quaisquer acusações quepesem sobre Ahmed Nouri Raziak, segundo a AP.

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