Reuters exige resposta de Israel sobre morte de jornalista

Um mês depois da morte do jornalistaFadel Shana por ocupantes de um tanque israelense na Faixa deGaza, a Reuters renovou nesta quinta-feira sua exigência poruma resposta do Exército de Israel o quanto antes sobre odisparo contra o cinegrafista. O palestino Shana, de 24 anos, foi morto no dia 16 de abriljunto com outros oito civis, em sua maioria adolescentes,quando um disparo do tanque lançou pelos ares pequenos dardos. O jornalista realizava uma gravação a cerca de 1,5quilômetro de dois tanques israelenses. O Exército de Israeldisse ter concluído a investigação inicial a respeito doincidente, chegando à conclusão de que os soldados seguiramordens e agiram corretamente. No entanto, advogados militares ainda precisam avaliar ocaso antes de as Forças Armadas prestarem um esclarecimentototal a respeito. "Um mês se passou desde que Fadel Shana foi morto pelasforças israelenses enquanto cumpria seus deveresprofissionais", afirmou Mark Thompson, editor-chefe da Reuterspara o Oriente Médio. "Solicitamos as IDF (sigla pela qual são conhecidas asForças Armadas de Israel) a divulgação imediata de seurelatório a respeito do incidente, a fim de que os órgãos decomunicação e os militares possam cooperar determinando formasde garantir a segurança dos jornalistas enquanto cobrem esseconflito." Investigadores independentes contratados pela Reutersprepararam seu próprio relatório preliminar a respeito doocorrido, levantando sérias dúvidas sobre o motivo pelo qual otanque abriu fogo. Uma porta-voz dos militares israelenses, major AvitalLeibovich, disse: "Estamos trabalhando o mais rápido possívelpara concluir a investigação em todos os níveis." O gabinete da Procuradoria Geral das Forças Armadas, ojudiciário dos militares, avaliava agora um inquérito sobre aatuação dos soldados no teatro de operações. Segundo aporta-voz, esse inquérito já concluiu que os soldados nãofizeram nada de errado. Confirmando que os ocupantes dos tanques não haviam sidosuspensos e que continuavam atuando na Faixa de Gaza, Leibovichafirmou: "Eles agiram segundo as ordens que receberam. Essa é aconclusão da investigação sobre o teatro de operações." A porta-voz acrescentou: "Podemos dizer com certeza que ossoldados não conseguiram perceber que se tratava de um membrodos meios de comunicação. As IDF não tiveram nenhuma intençãode atingir membros da imprensa." Tanto Shana quanto o técnico de som Wafa Abu Mizyed, feridono pulso, usavam o colete a prova de balas azul no qual apareceescrita a palavra "Press" (imprensa) em letras fluorescentes. O veículo deles também apresentava as palavras "TV" e"Press." Os dois não estavam escondidos e encontravam-se em uma viatranquila localizada perto de uma estrada importante da Faixade Gaza antes de o tanque ser visto disparando, conformerevelam as gravações da câmera de Shana. Empresas de comunicação que mantêm funcionários no enclavepalestino conclamaram os militares israelenses a obrigarem seussoldados a terem mais cuidado com os jornalistas e a fazer comque as duas partes coordenem suas ações quando isso forpossível. Rejeitando um pedido para que os oficiais das ForçasArmadas de Israel repassem a seus comandantes de campoinformações sobre a movimentação dos jornalistas na Faixa deGaza a fim de que se evitem incidentes indesejados, o Exércitodisse em um comunicado, na semana passada: "Não haverá nenhumtipo de coordenação entre a movimentação dos jornalistas e asações realizadas nas áreas de operação das IDF."

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