Revisão de estratégia no Afeganistão aponta avanços

Uma revisão da estratégia militar dos EUA no Afeganistão divulgada nesta quinta-feira revelou que as forças aliadas estão avançando contra o Taliban e a Al Qaeda, mas graves desafios persistem.

MISSY RYAN, REUTERS

16 de dezembro de 2010 | 11h55

"No Afeganistão, o avanço alcançado pelo Taliban nos últimos anos tem sido detido em grande parte do país e revertido em algumas áreas-chave, apesar de essas conquistas seguirem frágeis e reversíveis", diz um resumo do documento.

"Mais importante, a liderança da Al Qaeda no Paquistão está mais fraca e sob mais pressão do que em qualquer outro lugar desde a fuga (de seus líderes) do Afeganistão, em 2001", relatou.

A revisão estratégica, que vinha sendo muito aguardada, também avalia que os Estados Unidos estão dentro do cronograma para reduzir seu número de soldados no país e colocar em 2011 as forças afegãs na liderança. No entanto, foram apontados obstáculos, como a dificuldade de reconstruir o Afeganistão e a necessidade do Paquistão de "negar constantemente" a presença de bases insurgentes em seu território.

Apesar do otimismo cauteloso da Casa Branca, um ano depois que o presidente Barack Obama determinou o envio de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão, o governo deve superar o ceticismo de parlamentares e da opinião pública, já cansados desse conflito, que dura nove anos e está em seu momento de maior violência.

"Tem havido sucessos isolados em termos de segurança, mas não um progresso abrangente", disse Caroline Wadhams, especialista em sul da Ásia na entidade Centro para o Progresso Americano. "Toda a dinâmica que está permitindo a insurgência permanece."

"ANO VIOLENTO"

Este é o ano mais violento para as tropas ocidentais desde o início da ocupação, em 2001 - quase 700 soldados estrangeiros já morreram em 2010.

Além disso, os insurgentes estão ampliando sua área de atuação, de seus redutos tradicionais, no leste e sul, para áreas outrora pacíficas no norte e oeste. Os civis continuam sendo as principais vítimas da guerra.

A força militar de 150 mil soldados dos EUA e da Otan, sendo 100 mil norte-americanos, empurrou o Taliban para cidades como Kandahar, ao sul, em uma medida encorajadora no momento em que Washington tenta aumentar a participação afegã entre os soldados em comando.

Mas diante da falta de grandes avanços por parte das forças afegãs -- que estão aumentando rapidamente em número, mas ainda estão aprendendo a atirar e, em alguns casos, até a ler --, os avanços "não podem ser mantidos sem o envolvimento continuado dos EUA, em termos militares e financeiros", disse Wadhams.

Segundo a revisão, o Paquistão é "central" para o sucesso na região, onde a Al Qaeda perdeu força mas ainda consegue planejar ataques contra os Estados Unidos.

O documento não deve encerrar os debates dentro do governo norte-americano sobre estratégias para a região. Segundo autoridades, o setor de inteligência tem uma visão mais pessimista sobre a situação do que os líderes militares.

O New York Times divulgou nesta semana dois documentos secretos da inteligência dizendo que a estratégia no Afeganistão teria poucas chances de sucesso, a não ser que o Paquistão tome medidas contra os ataques insurgentes de bases na fronteira.

Embora o reforço nas tropas esteja tendo algum efeito, especialistas acreditam que as conquistas na área da segurança não serão sustentáveis se o Estado afegão, fraco e corrupto, não for fortalecido em breve.

Segundo o relatório da revisão, reduzir a corrupção seria uma medida-chave para "sustentar o governo afegão".

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