Rice espera que conferência de paz crie Estado palestino

Chanceler americana afirma que objetivo de encontro com líderes é estabelecer bases para acordo

Associated Press e Agência Estado,

20 de setembro de 2007 | 19h29

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, encontrou-se nesta quinta-feira, 20, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia.  Em entrevista coletiva concedida ao lado do líder palestino, Rice declarou que a conferência, que supostamente será realizada em novembro em Washington, terá como tema a paz no Oriente Médio e a criação do Estado da Palestina. A secretária já havia se reunido na quarta-feira com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e, na manhã de quinta-feira, com o presidente Simon Peres. "Eu trabalharei e sei que o presidente (Abbas) e o primeiro-ministro (de Israel, Ehud) Olmert trabalharão, assim como suas equipes atuarão agressivamente e com urgência para estabelecer as bases de uma conferência de sucesso", disse Rice. Os Estados Unidos ainda não divulgaram a data exata da reunião nem a lista de convidados. Nabil Amir, assessor de Abbas, comentou que a chanceler americana garantiu ao presidente palestino que a intenção é discutir os principais pontos de impasse: fronteiras definitivas de Israel e de um futuro Estado palestino, o destino dos refugiados e a situação de Jerusalém. Os palestinos querem que a conferência produza um esboço de um acordo de paz com cronograma de implementação.  Israel, por sua vez, considera prematuro discutir as questões mais delicadas e prefere criar uma vaga declaração de intenções. Importantes países árabes, como a Arábia Saudita, avisaram que só participarão da reunião se houver perspectivas palpáveis de avanço.  A cúpula do grupo islâmico Hamas minimizou a importância do encontro. "Qualquer acordo resultante da conferência organizada pelos Estados Unidos não será mandatório para os palestinos", disse Taher Nun, porta-voz do governo do Hamas em Gaza em entrevista à Rádio Al-Quds, que opera no território palestino litorâneo. Conflito A visita de Rice ao Oriente Médio acabou ofuscada por uma série de medidas israelenses com potencial para inviabilizar a concretização do plano americano de realizar a conferência. Na quarta-feira, Israel qualificou Gaza como "entidade inimiga", decisão que tende a reforçar a percepção entre palestinos e governos árabes de que Israel fará o que bem entender. Nesta quinta, a Comissão Européia pediu, na ONU, que Israel reconsidere a frase e que não interrompa o envio de gás e eletricidade para a Faixa de Gaza Ao mesmo tempo, o Exército israelense manteve, nesta quinta-feira, uma incursão contra um campo de refugiados palestinos na Cisjordânia e voltou a invadir a Faixa de Gaza. Em Ein Bet Ilmeh, um campo de refugiados nos arredores de Nablus, moradores disseram que estão ficando sem água e sem comida depois de três dias consecutivos de uma incursão militar israelense contra o acampamento com o objetivo de desmantelar células de ativistas do Hamas e da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) que teriam planos de atacar Israel. Em Gaza, um adolescente morreu depois de ser atingido por destroços de uma bomba disparada por um tanque israelense durante uma incursão contra a região central do território palestino litorâneo. Além dele, um combatente do Hamas faleceu quando o veículo no qual viajava foi atingido por um míssil disparado por um avião israelense. O Exército israelense alegou ter voltado a invadir Gaza para reprimir ataques de foguetes rústicos contra seu território. De acordo com a agência France Press, com essas mortes o número de falecidos no conflito sobe para 5.866, sendo a grande maioria de palestinos. O primeiro-ministro palestino deposto, Ismail Haniye, pediu, nesta quinta, que as facções de resistência cessem fogo contra Israel.

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