Rice impõe regras para empresas de segurança no Iraque

Entre as medidas se destaca a criação de um conselho para investigar massacres cometidos pelos agentes

Efe,

24 de outubro de 2007 | 00h28

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, impôs na terça-feira, 23, novas medidas para melhorar os trabalhos de supervisão dos agentes de segurança privados que protegem os diplomatas dos Estados Unidos no Iraque. Pelo menos 17 pessoas foram mortas a tiros por seguranças de uma caravana diplomática em Bagdá no dia 16 de setembro, num incidente envolvendo a companhia de segurança americana Blackwater. A empresa é a principal prestadora de serviços de segurança privada do Departamento de Estado. Entre as novas medidas do Departamento se destacam a criação de um conselho especial para investigar futuros massacres e a instrução aos contratados sobre cultura iraquiana, segundo um relatório divulgado na terça-feira. As recomendações são da própria Rice. O Departamento de Estado divulgou oficialmente o relatório especial elaborado por uma equipe enviada a Bagdá para investigar o acidente. O texto recomenda, entre outras coisas, que as empresas tenham, entre suas equipes, pessoas que falem árabe. A secretária de Estado também mandou criar um posto a ser ocupado por um alto diplomata. Ele será encarregado de vigiar e acompanhar de perto as operações na área de segurança no Iraque. Provisoriamente, Steve Browning, atual embaixador dos EUA em Uganda, vai exercer a função. O porta-voz do Departamento de Estado de EUA, Sean McCormack, anunciou que outras recomendações precisarão de ações conjuntas com o Departamento de Defesa. O estudo também propõe "medidas para reforçar a coordenação, a responsabilidade e a vigilância das práticas de segurança no Iraque para reduzir a possibilidade de futuros incidentes". Ainda segundo o Departamento, "a legislação sobre a supervisão adequada das empresas contratadas é inadequada". No entanto, a análise não diz o que deveria ocorrer com a Blackwater. No dia 5 de outubro, quando recebeu o relatório, Rice recomendou revisar os sistemas de segurança dos comboios de diplomatas americanos no Iraque. Outras medidas foram a instalação de câmeras nas caravanas e a gravação da sua comunicação com a embaixada dos EUA em Bagdá. Em 4 de outubro, a Câmara de Representantes aprovou uma lei permitindo que os tribunais dos Estados Unidos julguem os seguranças privados que operam no Iraque e que se envolvem em incidentes com morte de civis.

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