Rice pede fim da tensão entre curdos e árabes no Iraque

Secretária de Estado dos EUA chega de surpresa ao país no dia em que a Turquia promove ofensiva contra PKK

Agências internacionais,

18 de dezembro de 2007 | 13h19

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu nesta terça-feira, 18, aos líderes curdos e árabes de Kirkuk que diminuam a tensão entre as várias comunidades da cidade, afirmaram dirigentes locais. A representante de Washington chegou ao norte do Iraque em uma visita-surpresa e ressaltou a importância de um acordo entre líderes árabes e curdos para solucionar o impasse na região.   Veja também: Soldados turcos cruzam a fronteira do Iraque Entenda o conflito entre turcos e curdos    A viagem de Rice foi ofuscada pela incursão de cerca de 300 soldados turcos no norte do Iraque promovidas nesta terça. Usando armas leves, os militares invadiram uma área na montanhosa província curda de Dahuk, a cerca de 200 quilômetros da cidade de Kirkuk, onde o avião de Rice fez sua primeira escala. Os soldados entraram em confronto com guerrilheiros separatistas curdos, segundo um oficial turco.   Rice chegou a Kirkuk para debater com os dirigentes da cidade o artigo 140 da Constituição iraquiana, que prevê a realização de um plebiscito para decidir se a cidade será integrada à região autônoma do Curdistão iraquiano ou se permanecerá sob o controle do governo central em Bagdá.   Vários líderes curdos, entre eles o presidente do Curdistão, Massoud Barzani, e o presidente do Iraque, Jalal Talabani, afirmaram várias vezes que Kirkuk representa uma questão à qual não pensam em renunciar e ameaçaram usar a força se a consulta popular não for realizada.   A chefe da diplomacia dos Estados Unidos pediu aos líderes árabes e curdos que cheguem a um acordo que contribua para diminuir a tensão entre as diferentes comunidades - curda, árabe e turcomana - que convivem em Kirkuk, acrescentaram as fontes.   A visita da secretária de Estado americana acontece apenas um dia depois de o Parlamento do Curdistão iraquiano ter adiado em seis meses a realização de um plebiscito em Kirkuk sobre o futuro da cidade.   Incursão turca   Em sua oitava visita como secretária de Estado, Rice pretendia destacar os progressos na redução da violência e fortalecimento da economia, segundo assessores. A incursão turca mostra que, apesar da redução de 60% na violência desde junho, a segurança é frágil e o Iraque ainda enfrenta ameaças internas e externas. O governo Regional Curdo condenou a incursão.   "O que falta aqui, e é absolutamente necessário em longo prazo para garantir tudo isso, é progresso político", disse a jornalistas David Satterfield, coordenador do Departamento de Estado para o Iraque.   Segundo a BBC, esta é a primeira incursão das tropas turcas em território iraquiano desde a autorização concedida pelo Parlamento turco para a realização de operações militares no país vizinho, aprovada em outubro.   O Exército turco acusa rebeldes do movimento separatista curdo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) de usar bases localizadas no norte do Iraque para lançar ataques contra alvos na Turquia.

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