Rivais acusam Hezbollah de ser 'Estado dentro do Estado'

Partido xiita e governo protagonizam crise política já dura 18 meses e quase levou o país à guerra civil

Associated Press e Agência Estado,

21 de maio de 2008 | 08h14

A organização xiita Hezbollah (Partido de Deus) é um misto de movimento político e milícia armada, que busca obter amplo apoio popular, está na mira de Israel e é rechaçada pelo Ocidente. O Hezbollah ficou conhecido pela luta contra a ocupação de Israel do sul do Líbano, entre 1978 e 2000.  Entre julho e agosto de 2006, empreendeu uma resistência superior à esperada diante do Exército israelense, o mais poderoso do Oriente Médio. O grupo aproveitou-se desse sucesso para ampliar sua influência como força política, liderando a oposição formada por muçulmanos xiitas e um pequeno grupo cristão. Os adversários acusam o Hezbollah de ter-se convertido num Estado dentro do Estado - com o apoio dos xiitas beneficiados por programas sociais financiados pelo movimento e da Síria e do Irã. No fim de 2006, o Hezbollah começou a promover campanhas contra o governo, depois que seus ministros abandonaram o gabinete apoiado pelo Ocidente, presidido por Fuad Siniora. A partir daí, as instituições ficaram paralisadas e, desde novembro, o país não consegue eleger o seu presidente. A milícia xiita foi treinada pelos Guardiães da Revolução iranianos e se desenvolveu, transformando-se numa força militar capaz de reunir centenas de milhares de simpatizantes em cada ato público. Em várias resoluções a ONU exigiu, em vão, que o grupo se desarmasse. Depois da guerra com Israel de 2006, o Hezbollah formou uma aliança política com o governo de maioria anti-Síria, o que lhe havia garantido postos ministeriais, pela primeira vez. Mas o acordo durou pouco. Seis ministros pró-sírios, cinco deles do Hezbollah, renunciaram meses depois. A oposição, então, iniciou uma campanha de protestos, instalando barracas diante da sede do governo. O Hezbollah sempre foi considerado o principal suspeito dos atentados a bomba e seqüestros que marcaram a guerra civil libanesa (1975 a 1990) e está na lista do Departamento de Estado americano de organizações terroristas.  Embora seja um movimento conservador integrista, o Hezbollah não pretende, como é o caso de Irã e Arábia Saudita, impor os símbolos ou vestes islâmicos no Líbano, onde convivem várias confissões religiosas. O grupo mantém uma rede de assistência social para a comunidade xiita. Instalou 14 escolas e financia a reconstrução das casas bombardeadas por Israel e administra 2 hospitais.

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