Rússia considera impor sanções ao Irã por programa nuclear

Medidas não resolvem os problemas, mas às vezes são 'necessárias e inevitáveis', segundo chanceler

Efe,

09 de março de 2010 | 09h13

O governo da Rússia é convicto de que é possível solucionar a questão do programa nuclear iraniano pela via diplomática, mas advertiu que, às vezes, as sanções são "necessárias" e "inevitáveis", segundo declarações dadas nesta terça-feira, 9, pelo ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

 

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"Estamos convencidos de que existe a possibilidade de uma solução diplomática para os problemas existentes, primeiramente os referentes ao fornecimento de combustível para o reator científico de Teerã", afirmou Lavrov na entrevista coletiva que concedeu ao término de uma reunião com o seu colega finlandês, Alexander Stubb.

 

O chefe da diplomacia russa negou a existência de um novo projeto de resolução no Conselho de Segurança (CS) da ONU que contemple sanções ao Irã. "Não existe um projeto de resolução assim. Nossos parceiros ocidentais debatem ideias que, na opinião deles, poderiam estar contidas em uma resolução semelhante", explicou Lavrov, citado pela agência "Interfax".

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Ao mesmo tempo, o diplomata destacou que, "se a parte iraniana, como antes, não responder de maneira construtiva às sugestões que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apresentou a Teerã, será proposto um debate sobre a questão iraniana no Conselho de Segurança".

 

Caso esse debate aconteça, acrescentou Lavrov, a Rússia partirá do pressuposto de que "as sanções não solucionam os problemas, mas às vezes são necessárias, inevitáveis".

 

Infeficácia

 

Na opinião do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, novas sanções ao Irã não terão serventia. "Eu não acredito que quaisquer novas sanções trarão resultados", afirmou Erdogan a jornalistas na Arábia Saudita. Segundo ele, as três rodadas de sanções já sofridas pelo Irã no Conselho de Segurança "nunca geraram resultados".

 

Essa é a segunda vez que a Rússia admite que poderia apoiar sanções ao Irã. Entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, apenas China e Rússia se opunham às medidas, enquanto EUA, França e Reino Unido as respaldam. Os chineses, entretanto, seguem relutando. Qualquer uma dessas nações tem poder de veto no Conselho.

 

A discussão sobre o programa nuclear iraniano gira em torno de sua finalidade. As potências ocidentais suspeitam que o governo mantenha o processo de enriquecimento de urânio para a fabricação de armas nucleares, mas Teerã nega e diz que o objetivo do programa é pacífico.

 

A AIEA acusa o Irã de não colaborar transparentemente com as investigações sobre o programa nuclear e recentemente emitiu um relatório alertando ainda mais a comunidade internacional sobre a periculosidade da situação.

 

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