Rússia diz não a sanções contra Síria em negociações na ONU

As negociações sobre uma resolução para estender uma missão de monitoramento da Organização das Nações Unidas na Síria começaram nesta quinta-feira com um Conselho de Segurança profundamente dividido e a Rússia dizendo que não concorda com a ameaça de sanções para tentar colocar fim ao conflito de 16 meses.

MICHELLE NICHOLS, Reuters

12 de julho de 2012 | 15h37

O conselho de 15 membros precisa decidir sobre o futuro da missão da ONU, conhecida como UNSMIS, antes do dia 20 de julho, quando expira o seu mandato de 90 dias. A UNSMIS foi enviada para monitorar um cessar-fogo fracassado, dentro de um plano de paz com seis pontos do enviado internacional Kofi Annan.

A Rússia propôs estender a missão por 90 dias, mas a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, a França e a Alemanha apresentaram uma proposta de resolução para ampliar a missão por apenas 45 dias e colocar o plano de paz de Annan dentro do Capítulo 7 da Carta da ONU.

O Capítulo 7 permite que o conselho autorize ações que vão de sanções diplomáticas e econômicas à intervenção militar. As autoridades norte-americanas afirmaram que estão conversando sobre sanções contra a Síria, não intervenção militar.

O Conselho de Segurança deve votar no dia 18 de julho.

"Definitivamente somos contra o Capítulo 7. Tudo pode ser negociado, mas isso não negociamos, essa é uma linha vermelha", disse o embaixador adjunto da Rússia na ONU, Alexander Pankin, a jornalistas.

A posição inicial da Rússia, aliado chave da Síria, não foi surpresa para os diplomatas ocidentais. A Rússia e a China já vetaram resoluções da ONU que tinham como objetivo pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad.

"Eles diriam isso neste estágio, não diriam?", disse o embaixador da Grã-Bretanha na ONU, Mark Lyall Grant. "Acho que há um apoio claríssimo no conselho, eu espero, para nosso texto e veremos como nos saímos."

A proposta de resolução apoiada pelo Ocidente ameaça em particular o governo sírio com sanções, caso não pare de utilizar armas pesadas e não retire suas tropas das cidades dentro de 10 dias da adoção da resolução.

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