Rússia e China criticam uso da força contra o Irã

Membros do Conselho de Segurança se opôem à ameaça francesa de guerra e defendem diálogo com Teerã

Agências internacionais,

18 de setembro de 2007 | 09h54

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, advertiu o Ocidente nesta terça-feira, 18, sobre o uso da força e a adoção de ações unilaterais contra Teerã por conta do programa nuclear mantido pela república islâmica. A China, que assim como a Rússia tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, também se opôs à ofensiva militar.    Veja também: Ahmadinejad diz que não leva a sério ameaças francesas Chanceler francês tenta explicar comentário sobre guerra no Irã "Estamos convencidos de que nenhum problema moderno tem solução pela via militar, e isso inclui o programa nuclear iraniano", declarou Lavrov em Moscou depois de conversar com o chanceler francês, Bernard Kouchner. "Estamos muito preocupados com os cada vez mais freqüentes relatos referentes a uma ação militar contra o Irã estar sendo seriamente considerada", disse. Kouchner, que protagoniza sua primeira visita a Moscou como chanceler francês, comentou no domingo que a comunidade internacional deveria estar preparada para uma guerra contra o Irã no caso de a república islâmica obter armas atômicas. Ainda segundo ele, líderes europeus estariam analisando a possibilidade de aplicar sanções a Teerã. Lavro vcriticou a idéia de sanções unilaterais contra o Irã, seja por parte dos Estados Unidos ou da União Européia (UE). "Se aceitarmos trabalhar em conjunto e isso estiver representado numa decisão coletiva no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas, então qual seria a finalidade de sanções unilaterais?", questionou. Kouchner enfatizou que considera as negociações necessárias para evitar a possibilidade de guerra, mas defendeu que a comunidade internacional não deveria abrir mão de sanções para pressionar o Irã. Os Estados Unidos e outras potências ocidentais acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica. Críticas chinesas A China criticou o ministro francês de Relações Exteriores por ameaçar o Irã com uma ofensiva militar.  Sobre as declarações de Kouchner sobre o Irã, a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu, disse que Pequim não aprova o "recurso fácil de ameaçar com o uso da força nos assuntos internacionais". Ela reiterou ainda que o governo chinês defende a continuidade das negociações para conseguir uma resolução pacífica ao conflito. "Acreditamos que a melhor opção é pacificamente resolver a questão nuclear iraniana através de negociações diplomáticas, que são o interesse da comunidade internacional", disse a porta-voz da Chancelaria chinesa.  França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Rússia e China reúnem-se na sexta-feira para discutir possíveis novas sanções contra o Irã. O país não suspendeu atividades nucleares consideradas sensíveis.  "Mensagem de paz" O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, pediu em Moscou novas sanções contra o Irã para "mostrar a seriedade" das intenções da comunidade mundial, mas ressaltou que é preciso "evitar a guerra". "Acho que devemos considerar a imposição de sanções muito sérias" contra o regime de Teerã, disse Kouchner, afirmando que "em nenhum caso, trata-se de uma ameaça militar, pelo menos por parte da França em relação ao Irã". Porém, em comentários na edição desta terça-feira do jornal francês Le Monde, Kouchner tentou explicar as declarações, que foram condenadas pelo Irã e levaram a um apelo por calma pelo chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), Mohamed ElBaradei. "Não quero que se diga que eu sou incentivador de guerras. Minha mensagem foi uma mensagem de paz, de seriedade e de determinação", disse ele, segundo o jornal, em uma viagem a caminho de Moscou para conversas com seu colega russo.  "A pior situação é a guerra. Para se evitar isso, a atitude da França é negociar, negociar, negociar, sem medo de ser rejeitada, e trabalhar com nossos amigos europeus em cima de sanções com credibilidade", afirmou ele, segundo o Le Monde.

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