Rússia e China impedem sanções mais duras ao Irã, dizem EUA

Na ONU, EUA defendem nova punição contra governo iraniano pela recusa em suspender programa nuclear

Mark Heinrich, da Reuters,

01 de novembro de 2007 | 11h00

Rússia e China estão impedindo a Organização das Nações Unidas (ONU) de adotar sanções mais duras contra o Irã, disseram os Estados Unidos nesta quinta-feira, 1, acrescentando que haverá dentro de duas semanas uma nova iniciativa para punir a República Islâmica por sua recusa em suspender seu programa nuclear.   Mas o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse não estar "nada preocupado" com as sanções, que ele qualificou como ineficazes.   Nicholas Burns, subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, disse que China e Rússia obstruem desde o final de março uma nova resolução a ser apresentada por Washington ao Conselho de Segurança da ONU. Moscou e Pequim, importantes parceiros comerciais de Teerã, têm poder de veto na entidade. Grandes potências mundiais se reúnem na sexta-feira em Londres para discutir novas sanções.   Falando antes de uma reunião na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), em Viena, Burns disse que o Irã recebeu um período de "respiro" desde a última resolução do Conselho de Segurança, em 24 de março. "A Rússia e a China vêm efetivamente bloqueando uma terceira resolução desde então", afirmou ele a jornalistas.   As potências ocidentais aceitaram em setembro adiar as novas sanções depois que o Irã se comprometeu a esclarecer dúvidas da AIEA sobre seu programa atômico, que Teerã garante ser pacífico. Os EUA e seus aliados acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares.   A AIEA vai divulgar um relatório em meados de novembro, mas Burns disse que um texto favorável não bastará para impedir novas sanções econômicas a Teerã.   "Nossa esperança é a seguinte: primeiro, que uma terceira resolução seja aprovada assim que possível; segundo, apoiaríamos muito que a UE adotasse (suas próprias) sanções; e, terceiro, que os grandes parceiros comerciais do Irã reduzissem o comércio para demonstrar ao Irã que não está tudo normal", afirmou.   O presidente Ahmadinejad, que faz ataques frequentes ao Ocidente, disse na quinta-feira que seu país reagirá a eventuais hostilidades, mas não disse como.   Ele sugeriu que as sanções unilaterais anunciadas na semana passada pelos EUA vão afetar principalmente os países europeus que ainda mantêm negócios com o Irã, dono de importantes reservas de gás e petróleo.   "A arma das sanções não funciona", disse Ahmadinejad em discurso para inaugurar uma fábrica petroquímica no litoral do golfo Pérsico. "Não estamos nada preocupados. O principal que eles estão fazendo é gastar do bolso dos outros, porque as empresas norte-americanas não têm qualquer negócio no Irã."

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