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Rússia e EUA buscam solução 'criativa' para Síria, diz diplomata

Lakhdar Brahimi afirma que vai buscar a paz com base na Declaração de Genebra, que prevê um governo de transição

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06 de dezembro de 2012 | 19h19

DUBLIN - A Rússia e os Estados Unidos vão buscar uma solução "criativa" para tirar a Síria da beira do abismo, disse nesta quinta-feira, 6, o mediador internacional para esse conflito, após se reunir com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o chanceler russo, Sergei Lavrov.

As declarações de Lakhdar Brahimi, que aproveitou uma conferência em Dublin para convocar essa reunião fora da agenda, sugerem que as grandes potências podem estar passando a se coordenar, após meses de discordâncias.

Depois da reunião, que durou 40 minutos, Brahimi disse que buscará a paz com base na chamada Declaração de Genebra, que prevê um governo de transição na Síria, onde há mais de 20 meses rebeldes tentam derrubar o presidente Bashar Assad. "Não tomamos nenhuma decisão sensacional", disse Brahimi a jornalistas, acrescentando que a situação na Síria é "muito, muito, muito ruim."

"Concordamos que devemos continuar trabalhando para vermos como podemos encontrar formas criativas de controlar esse problema, e tomara que comecemos a resolvê-lo. Também conversamos um pouco sobre como esperamos poder trabalhar um processo que tire a Síria da beira do abismo. Montamos um processo que será baseado em Genebra."

Hillary manteve uma reunião bilateral com Lavrov, e Brahimi se reuniu separadamente com Lavrov, antes de os três conversarem juntos. A secretária de Estado norte-americana disse que seu país se empenha por uma colaboração com a Rússia para conter a violência na Síria e iniciar uma transição política.

Em Moscou, um influente parlamentar governista disse nesta quinta-feira que o regime sírio se mostra incapaz de fazer seu trabalho adequadamente, num sinal de que a Rússia está tentando se distanciar de Assad.

Na segunda-feira, na Turquia, o presidente russo, Vladimir Putin, já havia declarado que "novas ideias" sobre como resolver a crise haviam surgido. O Kremlin disse que as iniciativas continuariam sendo discutidas por diplomatas da Rússia e da Turquia, país que dá firme apoio aos rebeldes sírios.

Armas químicas

Enquanto isso, o vice-chanceler sírio acusou potências ocidentais de disseminarem o temor de que a Síria poderia usar armas químicas na guerra civil, para ter um "pretexto para a intervenção". Na semana que vem, um grupo de países "Amigos da Síria", aliados dos rebeldes, vai se reunir em Marrocos.

Os rebeldes têm feito avanços na Síria nas últimas semanas e os combates continuaram intensos na quarta-feira em um arco de subúrbios a leste de Damasco, a capital. Estima-se que 38 mil pessoas já tenham morrido no atual conflito.

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