Rússia e EUA concordam em buscar nova resolução sobre Irã

Conselho de Segurança da ONU debaterá novo texto sobre programa nuclear; seis potências elaboram esboço

Agências internacionais,

26 de setembro de 2008 | 12h32

Seis potências mundiais, incluindo os Estados Unidos e a Rússia, concordaram com o esboço de uma resolução sobre o programa nuclear do Irã, disseram autoridades francesas e alemãs nesta sexta-feira, 26. O Conselho de Segurança da ONU debaterá nesta sexta uma nova resolução sobre a situação nuclear do Irã na qual se reafirmam as últimas três rodadas de sanções contra o país por seu programa nuclear, disse o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband.  "Nós ministros estivemos conversando sobre a questão e vamos apresentar uma breve resolução que reafirma as três resoluções anteriores", sobre o programa nuclear iraniano, disse Miliband. As conversas que nesta sexta o principal órgão das Nações Unidas manterá foram possibilitadas pelo acordo alcançado sobre a questão entre os Estados Unidos e a Rússia, que inicialmente se opunha a isso, e que tinham gerado divergências entre os países. Nenhuma das autoridades comentou o conteúdo da resolução, apesar de outras fontes diplomáticas terem dito que não haverá novas sanções contra Teerã, mesmo depois que suas autoridades se recusaram a suspender o enriquecimento de urânio.  Miliband acrescentou que o projeto de resolução "também reafirmará a unidade dos Seis (cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha) e sua determinação de seguir conversando sobre os próximos passos a serem dados nesta matéria." O ministro de Exteriores britânico lembrou que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) advertiram recentemente de que não tinham recebido informação suficiente por parte de Teerã sobre o programa nuclear. As potências ocidentais questionam há cinco anos a natureza do programa nuclear iraniano, pois suspeitam de que poderia ter, além do uso civil que Teerã afirma que tem exclusivamente, outro de caráter militar. O chefe da diplomacia britânica disse esperar que "a resolução seja aprovada hoje mesmo" e que "o governo do Irã se sente para negociar as ofertas substanciais" que colocaram sobre a mesa. Miliband acrescentou que o projeto de resolução que hoje será analisado "afirma a unidade e mobiliza o apoio internacional para assegurar que se cumpre a legalidade internacional neste assunto." Os inspetores da AIEA querem esclarecer os supostos testes desenvolvidos por Teerã com explosivos de grande potência, que são necessários para gerar a reação em cadeia de uma explosão nuclear. Sobre a questão, o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad acusou a documentação apresentada pelos Estados Unidos e por outros países à AIEA de ser falsa, algo que os inspetores tentam comprovar há vários meses, até agora em vão. Até o momento, os técnicos iranianos instalaram cerca de 3.800 centrífugas para produzir urânio enriquecido a partir de hexafluoreto de urânio (UF6). Durante sua estadia nas Nações Unidas esta semana, Ahmadinejad reiterou que o arquivo nuclear iraniano em a AIEA está fechado e atribuiu a continuação das investigações a manobras de "nações poderosas."

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