Rússia e Irã iniciam testes da primeira usina nuclear iraniana

Responsável nuclear afirma que 6 mil centrífugas estão em operação em Natanz e número deve chegar a 50 mil

Agências internacionais,

25 Fevereiro 2009 | 11h52

Oficiais russos e iranianos começaram nesta quarta-feira, 25, os testes das operações da usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã, informou a televisão pública iraniana. O anúncio foi feito no mesmo dia em que o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Gholam Reza Aghazadeh, afirmou que o Irã já colocou em funcionamento 6 mil centrifugas na usina de enriquecimento de urânio de Natanz e que o país pretende aumentar o número para 50 mil.   O responsável iraniano fez estas declarações durante uma entrevista coletiva conjunta com o diretor da empresa estatal atômica da Rússia, Serguei Krienkov, que chegou ao Irã presidindo uma delegação de mais de 15 especialistas russos. "Vamos seguir com nosso programa nuclear como estava previsto, independente dos relatórios da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), não vamos introduzir nenhuma mudança no mesmo", disse Aghazadeh, afirmando que o Irã não diminuiu o ritmo de suas atividades com energia atômica.   "Atualmente, nós temos 6.000 centrífugas em funcionamento em Natanz, e nós aumentaremos nossas atividades para instalar mais até o final do próximo ano (iraniano, em março de 2010)", disse o chefe da Organização no sudoeste do país, onde está sendo construída uma usina nuclear. Ele não esclareceu quantas centrífugas estarão em funcionamento até março de 2010, mas disse que o Irã planeja instalar 50 mil delas nos próximos cinco anos. "Nós não mudamos nosso planejamento em Natanz. Nós nem desaceleramos nem aceleramos nossas atividades lá", disse ele, referindo-se à unidade de enriquecimento de urânio no centro do país.   Em novembro, o Irã afirmou que tinha 5 mil centrifugas em operação na usina de Natanz. Diante das suspeitas ocidentais sobre a finalidade do programa nuclear do Irã, o Conselho de Segurança da ONU já impôs três rodadas de sanções ao país, que no entanto insiste no caráter pacífico e legal de suas atividades. Teerã diz que seu objetivo é gerar eletricidade para fins civis.   Durante os testes na nova usina nuclear, os técnicos russos e iranianos instalaram na central de mil megawatts barras de chumbo que pesam o mesmo que as barras reais de urânio empobrecido (ou pouco enriquecido), em um ato classificado pelas autoridades iranianas como "a prévia da operação" da central de Bushehr. "Hoje é um dia importante para o povo do Irã que esperou durante anos o início desta usina", disse Aghazadeh, afirmando que ela entrará em funcionamento de forma definitiva em breve, para abastecer parte do consumo da eletricidade ao país.   A central, localizada a 15 quilômetros do sul de Bushehr, à beira do Golfo Pérsico, começou a ser construída em 1974, por engenheiros alemães da empresa Siemens durante o reinado do Xá Mohammed Reza Pahlevi, deposto pela Revolução Islâmica de 1979. Depois da Revolução Islâmica, os alemães suspenderam o trabalho, que foi retomado em1995 aconteceu, após um acordo entre Teerã e Moscou firmado três anos antes. Os países ocidentais, especialmente os EUA veem com desconfiança o programa nuclear iraniano por desconfiar de que tem fins militares.

Mais conteúdo sobre:
Irãprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.