Rússia propõe declaração branda da ONU sobre ataque sírio na Turquia

A Rússia vetou na quinta-feira a adoção de uma declaração na Organização das Nações Unidas (ONU) condenando o ataque com morteiro sírio contra uma cidade turca e propôs um texto mais brando pedindo por "prudência" na fronteira, sem se referir às violações à lei internacional.

LOUIS CHARBONNEAU, Reuters

04 de outubro de 2012 | 14h42

Diplomatas do Ocidente reclamaram que as propostas da Rússia, caso sejam aceitas, enfraquecerão a declaração a um grau inaceitável.

"Os membros do Conselho de Segurança pediram às partes que exercitem a moderação e evitem confrontos militares que poderão levar a uma nova escalada da situação da área de fronteira entre a Síria e a Turquia", diz a declaração proposta pela Rússia, obtida pela Reuters.

Se for adotada, a declaração que não tem força legal também pedirá que os dois vizinhos "reduzam as tensões e criem uma via rumo a uma resolução pacífica para a crise síria". O ataque sírio com morteiro matou cinco civis turcos na quarta-feira.

O texto russo mantém parte das expressões do texto original proposto pelo Azerbaijão, e pede que o governo sírio investigue o ataque.

Os Estados Unidos também propuseram emendas para "fortalecer" o texto original, de acordo com um diplomata ocidental.

A proposta original, apresentada para o conselho de 15 nações na quarta-feira, condena "nos termos mais fortes" o bombardeio do Exército sírio contra uma cidade na Turquia e exigiu o fim das violações ao território turco.

As duas propostas de declaração incluem a frase: "Isso representa uma demonstração do vazamento da crise na Síria para Estados vizinhos a um grau alarmante."

Os russos, entretanto, propuseram a retirada da frase seguinte, que os diplomatas afirmam ser uma linguagem crucial: "Tais violações da lei internacional constituem uma séria ameaça à paz e à segurança internacional."

O trecho retirado pelos russos, afirmam diplomatas da ONU, tinha a intenção de sinalizar que o Conselho de Segurança, que supostamente é o guardião da segurança e da paz internacional, deve se manter envolvido na questão.

Outro problema com a proposta russa, segundo diplomatas ocidentais que pediram para manter o anonimato, é que ela tenta equiparar o ataque sírio com a resposta turca e retira a culpa do Exército sírio, sugerindo a necessidade de uma investigação para verificar se o Exército sírio esteve por trás do ataque.

"Não acho que a proposta russa fará muito para unificar o conselho", disse à Reuters um diplomata ocidental. "Não acho que seja aceitável, mas talvez consigamos chegar a um acordo." Outro diplomata afirmou: "É muito típico da Rússia tentar proteger (o presidente sírio) Assad."

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