Rússia reclama de esboço da ONU sobre Síria e quer negociar

O embaixador da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vitaly Churkin, afirmou nesta sexta-feira que o esboço de uma resolução árabe-europeia sobre a Síria que circulou no Conselho de Segurança era parcialmente inaceitável, mas que a Rússia estava pronta para "negociá-la".

REUTERS

27 de janeiro de 2012 | 21h23

Churkin falou a repórteres depois que Marrocos apresentou ao conselho o esboço, destinado a apoiar um plano da Liga Árabe para resolver a crise na Síria, onde mais de 5 mil pessoas morreram durante os 10 meses de repressão aos protestos anti-governo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com diplomatas, Churkin disse em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança que ele estava "profundamente desapontado" com o esboço da resolução.

Churkin afirmou ao conselho de 15 nações que discordava da tentativa da Liga Árabe de "impor uma solução externa" ao conflito na Síria, e rejeitou a ideia de um embargo de armas e do uso da força, disseram à Reuters diplomatas presentes à reunião que pediram anonimato.

No entanto, ele não deixou explícita a ameaça de vetar a resolução, que o embaixador francês Gérard Araud disse esperar que fosse votada na próxima semana.

Diplomatas disseram que o Marrocos circulou para o Conselho de Segurança um esboço da resolução árabe-europeia apoiando o pedido da Liga Árabe para que o presidente sírio, Bashar al-Assad, transfira seus poderes para seu vice, a fim de formar um governo de unidade e preparar o país para eleições.

A França e a Grã-Bretanha redigiram a resolução em consultas com o Catar e o Marrocos, além de Alemanha, Portugal e os Estados Unidos. A resolução tem o objetivo de substituir um esboço russo que delegados ocidentais disseram ser fraco e irrelevante demais, à luz do novo plano da Liga Árabe.

Diplomatas disseram que tanto Churkin quanto o enviado da China foram contra a ideia de impor um embargo de armas ou de apoiar o uso da força contra a Síria, o que Araud e o enviado britânico Mark Lyall Grant destacaram que não estavam no esboço árabe-europeu.

Araud disse a jornalistas que as negociações sobre as revisões do texto começariam no início da próxima semana.

O esboço da resolução, obtido pela Reuters, pede "uma transição política" na Síria. Embora não peça sanções da ONU contra Damasco, diz que o Conselho de Segurança poderia "adotar mais medidas" se a Síria não aceitasse os termos da resolução.

Rússia e China vetaram um esboço de resolução europeia em outubro que condenava a Síria e ameaçava o país com sanções por causa de sua repressão de 10 meses contra manifestantes pró-democracia.

(Reportagem de Louis Charbonneau)

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