SAIBA MAIS-Desafios enfrentados pelo Iraque depois de invasão

Leia abaixo alguns dos desafios comos quais se depara o primeiro-ministro do Iraque, Nurial-Maliki, cinco anos depois de uma invasão liderada pelosEstados Unidos ter deposto o ditador Saddam Hussein. SEGURANÇA Os níveis de violência caíram 60 por cento desde junhopassado, mas o comandante das forças norte-americanas noIraque, general David Petraeus, diz que os avanços nesse setorsão frágeis e podem retroceder facilmente. Cerca de 20 mil dosmembros do contingente militar suplementar enviado pelos EUA aoIraque em 2007 para ajudar no combate a uma onda de violênciasectária devem ser retirados do país até julho. Diante de umnúmero menor de soldados norte-americanos, as forças desegurança iraquianas terão de provar que sabem como preservaros avanços já realizados. ECONOMIA O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que o aumentoda produção de petróleo faça com que o Produto Interno Bruto(PIB) do Iraque aumente 7 por cento neste ano, contra apenas1,3 por cento em 2007. Mas o país ainda enfrenta altas taxas dedesemprego e um baixo índice de investimentos. Além disso, aOrganização das Nações Unidas (ONU) calcula que 4 milhões deiraquianos tenham dificuldade para alimentarem-se ao passo que40 por cento dos 27 milhões de habitantes do país não contamcom água tratada. INSURGÊNCIA SUNITA A insurgência sunita contra o governo de Maliki perdeumuito de sua força depois de tribos sunitas e alguns gruposinsurgentes nacionalistas terem ingressado nos chamadosConselhos do Despertar, no ano passado, e terem pegado em armaspara investir contra a Al Qaeda (um grupo sunita), o inimigorenitente que os militares norte-americanos consideram a maiorameaça à paz no Iraque. Não obstante terem sido, em suamaioria, expulsos de Bagdá e da Província de Anbar (oeste), osmilitantes da Al Qaeda reagruparam-se no norte e continuam arealizar atentados a bomba de grande escala. GRUPOS CIVIS O governo liderado por Maliki, um xiita, tem mantido sobvigília os grupos locais de cidadãos, em sua maioria sunitasencarregados pelas Forças Armadas dos EUA de ocuparem postos decontrole e zelar pela segurança de áreas residenciais.Analistas advertiram que os grupos -- dos quais participamex-insurgentes -- poderiam rebelar-se contra o governo casoeste não os incorpore às forças de segurança ou não lhes dêoutros empregos. Até agora, as autoridades iraquianas aceitaramincorporar à polícia 20 por cento dos 80 mil voluntários. EXÉRCITO MEHDI O clérigo xiita Moqtada al-Sadr fez com que sua temidamilícia Exército Mehdi acatasse um cessar-fogo, em agosto. Atrégua inicial teria ajudado a conter a onda de violênciasectária, mas há insatisfação entre os integrantes do grupo queacusam as forças norte-americanas de usar o cessar-fogo parainvestir contra o Exército Mehdi. Caso voltem a pegar em armascomo resposta a pressões consideradas excessivas, os militantespoderiam mergulhar o Iraque mais uma vez em um período dederramamento de sangue. ELEIÇÕES PROVINCIAIS O Iraque deve realizar eleições provinciais ainda nesteano, um processo que, assim aposta o governo norte-americano,aumentará o envolvimento dos sunitas, que boicotaram o pleitode 2005, com o processo político. Mas há temores de que aeleição amplie o conflito surgido entre facções rivais xiitasdo sul do Iraque, uma região rica em petróleo, e que provocouuma nova onda de violência. PROGRESSO NO LEGISLATIVO Após meses de impasse, e sob pressões dos EUA, os partidospolíticos do Iraque aprovaram no começo deste ano uma série deleis considerada importante para os esforços de reconciliaçãonacional. Mas os avanços têm enfrentado dificuldades. Oconselho presidencial do Iraque recusou-se a aprovar uma leisobre os poderes das províncias, algo fundamental antes dopleito marcado para este ano, enviando o projeto de volta aoParlamento. Também não está claro como, se ou quando serãoimplantadas novas regras permitindo que ao menos alguns dosmembros do Partido Baath, de Saddam e hoje extinto, ocupemcargos públicos. Tampouco há acordo sobre a lei do petróleoresponsável por criar a estrutura jurídica para que empresasestrangeiras atuem no Iraque e determinar como os lucros com avenda do combustível seriam divididos. REFUGIADOS Uma parte importante da mão-de-obra qualificada do Iraquedeixou o país, provocando uma carência imediata por médicos,engenheiros, cientistas e outros tipos de profissionalespecializado. Essa mão-de-obra integra o grupo de cerca de 2milhões de pessoas que deixou o país. A ONU calcula que apenas36 mil delas regressaram desde que o Iraque tornou-se um localmenos inseguro. Há ainda 2 milhões de pessoas que fugiram desuas casas, mas não deixaram o território iraquiano. KIRKUK O destino da cidade de Kirkuk, rica em petróleo ereivindicada por curdos, árabes e turcomanos, é uma questãopotencialmente explosiva porque muitos iraquianos temem queessa disputa provoque outro surto de derramamento de sangue. Ogoverno não conseguiu realizar, conforme estipula aConstituição, um plebiscito no final de 2007 a fim dedeterminar o status da cidade. A região curda do Iraque, emgrande parte autônoma, aceitou o adiamento por seis meses davotação enquanto o enviado especial da ONU no Iraque tentagarantir avanços no processo do plebiscito.

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