Saif, outro filho de Gaddafi, promete continuar resistindo

Um dos filhos de Muammar Gaddafi, Saif al-Islam, prometeu nesta quarta-feira continuar resistindo às forças líbias que depuseram seu pai na semana passada, e conclamou a população a travar uma guerra de atrito contra o Conselho Nacional de Transição e seus apoiadores da Otan.

REUTERS

31 de agosto de 2011 | 19h11

Suas declarações contradizem Saadi, outro filho de Gaddafi, que afirmou ter entrado em contato com o CNT para tentar conter o derramamento de sangue no país.

Na declaração transmitida pelo canal por satélite Arrai, que pertence a sírios, Saif afirmou que seu pai está bem, e alertou as forças do CNT a não tentarem invadir a cidade de origem da família, Sirte, que continua sob controle de forças leais ao antigo regime.

Ele disse que 20 mil jovens armados esperam as forças anti-Gaddafi.

"Asseguramos às pessoas que estamos aqui, preparados e em boa forma. A resistência continua, e a vitória está próxima", acrescentou Saif, que disse estar nos subúrbios de Trípoli.

"Precisamos travar uma campanha de atrito dia e noite até que estas terras fiquem limpas dessas gangues e traidores", disse Saif, que também criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por ter supostamente mantido contatos com um ex-membro da Al Qaeda que, segundo ele, foi nomeado para um cargo importante em Trípoli.

"Vocês vão se arrepender muito por isso", declarou.

O paradeiro de Gaddafi continua sendo desconhecido, e ele fez apenas dois discursos sem imagens desde que seus adversários chegaram a Trípoli e ocuparam o complexo governamental de Bab al-Aziziya, que segundo Saif sofreu 64 bombardeios nos últimos sete meses.

Já seu irmão Saadi declarou à TV Al Arabiya que, com autorização do seu pai, manteve contatos com o comandante do CNT em Trípoli. "Estamos falando em negociações baseadas em acabar o derramamento de sangue", afirmou.

O comandante das forças anti-Gaddafi em Trípoli, Abdel Hakim Belhadj, confirmou à Reuters que foi procurado por Saadi, que teria pedido para aderir ao CNT se a sua segurança for garantida.

"Falei com ele pessoalmente", disse o comandante. "Ele ligou e revelou sua intenção de vir para o lado dos rebeldes ... Dissemos a Saadi que lhe garantiríamos um tratamento decente, compatível com os direitos humanos e os direitos jurídicos de qualquer líbio".

Antes, a rede norte-americana CNN noticiou que Saadi negou ter a intenção de se render.

(Reportagem de Omar Fahmy)

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