Sanções dificultariam solução diplomática com o Irã, diz China

Asiáticos defendem mais negociações diretas com República Islâmica e não se mostra a favor de restrições

Reuters,

04 de fevereiro de 2010 | 07h57

As discussões entre as potências mundiais sobre a imposição de sanções ao Irã podem complicar as relações diplomáticas entre os países envolvidos e podem eventualmente dificultar o consenso por uma solução, disse nesta quinta-feira, 4, o ministro de Exteriores da China, Yang Jiechi.

 

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Durante sua visita à França, onde se encontrará com o presidente Nicolas Sarkozy pela tarde, o chanceler chinês disse que queria ver mais negociações diretas entre o Irã e a comunidade internacional sobre o controvertido programa nuclear da nação islâmica.

 

As potências ocidentais estão pressionando pela imposição de um quarto pacote de sanções da ONU contra o Irã para que o país volte a negociar sobre seu programa de enriquecimento de urânio. A China, porém, uma das maiores importadoras do petróleo iraniano, não se mostra a favor das novas restrições, o que pode dificultar as tomadas de decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

 

"Falar sobre sanções neste momento complicará a situação e poderá ser um obstáculo para chegarmos a uma solução diplomática", disse Yang. "A China apoia o tratado de não-proliferação nuclear. Todos os países têm o direito de usar energia nuclear de forma pacífica, inclusive o Irã, se obedecerem as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", completou o chinês.

 

O Ocidente teme que o Irã queira produzir armas nucleares, mas Teerã nega as acusações e alega que se programa nuclear tem fins puramente pacíficos. O governo islâmico, porém, restringe as inspeções da AIEA em suas usinas de enriquecimento de urânio.

 

O grupo que negocia com o Irã - EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha - está tentando engajar o país islâmico na mesa de negociações sobre seu projeto nuclear há anos, mas diplomatas afirmam que, virtualmente, nenhum progresso foi feito.

 

Rússia

 

A Rússia e a as potências do Ocidente estão mais próximas de um acordo para impor novas sanções ao Irã, disse um influente parlamentar russo nesta quinta-feira.

 

As considerações de Konstantin Kosachyov, aliado ao Kremlin, foram os mais fortes indícios que Moscou poderia apoiar um novo pacote de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde tem poder de veto. "Apesar das conversas mais sérias com o Irã, a ideia da aplicação de sanções de caráter econômico cresceu bastante entre a Rússia e os outros países", disse Kosachyov.

 

O deputado, líder do Comitê de Assuntos Externos na câmara baixa do parlamento, expressou preocupação sobre os últimos testes do Irã e seus desafios à comunidade internacional de não paralisar seu enriquecimento de urânio. "A situação está começando a nos alarmar', disse Kosachyov.

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