Sarkozy defende operação na Líbia; Câmara dos EUA mantém verba

A França rejeitou nesta sexta-feira as críticas dos EUA à participação europeia na operação da Otan na Líbia, enquanto o governo norte-americano conseguiu escapar à fúria dos parlamentares de oposição numa votação sobre o financiamento da missão.

EMMANUEL JARRY E NICK CAREY, REUTERS

24 de junho de 2011 | 18h23

Depois de meses de bombardeios aéreos ocidentais para ajudar grupos rebeldes, Muammar Gaddafi consegue se manter no poder na Líbia, e os relatos sobre mortes de civis nas ações da Otan agravam as divisões entre os governos da aliança a respeito de uma operação que não tem um final à vista.

Refletindo sua insatisfação com as múltiplas guerras em andamento, deputados dos EUA fizeram uma repreensão simbólica ao presidente Barack Obama por sua participação na missão da Otan na Líbia, mas numa segunda votação acabaram rejeitando uma proposta para impedir as forças norte-americanas de participarem dos bombardeios.

A secretária de Estado Hillary Clinton saudou o resultado da votação, que poderia acarretar em restrições orçamentárias à missão. "Estamos gratos que a Câmara tenha rejeitado os esforços para limitar o financiamento da missão na Líbia", disse ela a repórteres.

Em Bruxelas, onde participa de uma cúpula da Otan, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, reagiu a críticas feitas no começo do mês pelo secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, para quem a União Europeia estaria demonstrando fraqueza militar na Líbia.

"Foi particularmente inadequado por parte do sr. Gates dizer isso, e além do mais completamente falso, diante do que está ocorrendo na Líbia", afirmou. "Certamente há outros momentos na história em que poderíamos dizer isso, mas não quando os europeus pegaram corajosamente a questão líbia nas suas mãos, e quando França e Grã-Bretanha junto com seus aliados, na maior parte, estão fazendo o trabalho."

Os EUA recusaram um papel de liderança na campanha militar da Otan na Líbia, iniciada em 31 de março, mas continuam contribuindo com aviões e outros recursos.

Em um discurso de despedida do cargo em 10 de junho, Gates disse que a campanha na Líbia revelou limitações, já que um centro de operações aéreas projetado para coordenar 300 voos diários estava tendo dificuldades para operar cerca de 150.

"Acho que a aposentadoria dele pode tê-lo levado a não examinar a situação na Líbia muito de perto, porque, a despeito do que as pessoas queiram dizer, não tenho a impressão de que os norte-americanos estejam fazendo o grosso do trabalho na Líbia", disse Sarkozy.

Gates deixará o cargo no final deste mês.

Nesta semana, vieram à tona também discordâncias entre aliados europeus da Otan, quando a Itália pediu a interrupção das hostilidades para permitir o acesso de agências humanitárias a zonas de conflito, proposta que foi rejeitada com veemência por Grã-Bretanha, França e outros.

Nos EUA, a oposição republicana se ressente do fato de Obama não ter buscado aval do Congresso para o envolvimento militar na Líbia, e por isso a Câmara rejeitou por 295-123 votos uma resolução endossando a participação na missão da Otan.

Mas Obama obteve uma vitória amplamente simbólica com a rejeição, por 238-180 votos, de uma proposta republicana para proibir os militares dos EUA de realizarem bombardeios aéreos contra as forças de Gaddafi. Oito parlamentares republicanos se juntaram à bancada democrata contra a medida.

(Reportagem adicional de Joseph Nasr em Berlin, David Alexander em Washington, Souhail Karam em Rabat, Maria Golovnina em Benghazi)

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