Sarkozy diz a Karzai que tropas francesas ficarão no Afeganistão

França tem cerca de mil soldados no país; 2007 foi o ano mais sangrento desde a queda do Taleban, em 2001

Efe,

22 de dezembro de 2007 | 19h55

A França reiterou neste sábado, 22, seu compromisso com o Afeganistão durante uma breve visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao país asiático. Segundo comunicado emitido pela presidência afegã, Sarkozy assegurou ao presidente afegão, Hamid Karzai, "apoio político e militar a longo prazo de seu governo ao povo do Afeganistão". Karzai recebeu Sarkozy pela manhã no Palácio Presidencial de Cabul, horas antes de se encontrar com o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, que chegou ao Afeganistão procedente do Iraque. Em breves declarações à imprensa depois de sua reunião com Karzai e antes de visitar as tropas francesas presentes em Cabul, Sarkozy disse que, no Afeganistão, existe uma guerra contra o terrorismo e o fanatismo que não pode ser perdida. Os dois presidentes concordaram que "a insegurança e o cultivo de drogas são sérios desafios para o Afeganistão" e que é preciso continuar lutando contra o terrorismo e o narcotráfico no país. Sarkozy viajou para o Afeganistão acompanhado de seus ministros da Defesa, Hervé Morin, e de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, além da secretária de Estado francesa para os Direitos Humanos, Rama Yade. A França tem cerca de mil soldados no Afeganistão dentro do contingente da Força Internacional de Assistência para a Segurança (Isaf), sob o comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com a maior parte deles em Cabul e o resto na cidade de Kandahar (sul). Em uma recente visita aos Estados Unidos, Sarkozy assegurou ao presidente americano, George W. Bush, que as tropas francesas ficarão no Afeganistão o tempo que for necessário para estabilizar o país. No entanto, a França resistiu às pressões para destacar soldados além da relativamente segura Cabul rumo a províncias conflituosas do sul e leste do Afeganistão, onde ocorre a maior parte dos confrontos com os insurgentes taleban. Ano mais sangrento Este ano foi o mais sangrento no Afeganistão desde a queda do regime Taleban em 2001, com mais de seis mil mortos em combates, bombardeios e atentados suicidas. O primeiro-ministro Rudd, por sua vez, garantiu a permanência das tropas australianas para Karzai. O contingente da Austrália é formado por cerca de 500 homens destacados na conflituosa província de Uruzgan (centro), que foram visitadas por Rudd antes da reunião com o presidente afegão em Cabul. "A razão pela qual vim ao Afeganistão nesta ocasião é porque chefio um novo governo na Austrália. Temos tropas aqui e queria aproveitar a primeira oportunidade para visitá-las para confirmar ao governo afegão que nosso compromisso continua de pé", disse Rudd em entrevista coletiva concedida junto com Karzai. Neste sábado, Rudd anunciou uma verba de US$ 110 milhões para o Afeganistão durante os próximos dois anos, que se somam aos US$ 150 milhões entregues desde a queda dos Taleban. Karzai, por sua vez, agradeceu pela "amável assistência" do povo australiano.  "A Austrália foi uma boa amiga do Afeganistão na luta contra o terrorismo, e ajudou na reconstrução do país", disse o presidente afegão, lembrando também os soldados australianos que perderam a vida "defendendo a segurança deste país".

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