Seguidores de Gaddafi podem manter a luta, diz enviado da Otan

Forças leais a Muammar Gaddafi poderão continuar lutando mesmo se o líder deposto for capturado, e a Otan vai manter os ataques aéreos contra eles enquanto ameaçarem civis, disse o embaixador americano na Otan.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

08 Setembro 2011 | 11h37

Autoridades da Otan dizem que não têm informações sobre o paradeiro de Gaddafi e que a aliança não vem rastreando seus movimentos, já que sob o mandato da ONU, a Otan está limitada à proteção de civis, e não pode alvejar indivíduos.

O embaixador dos Estados Unidos, Ivo Daalder, disse em uma coletiva de imprensa na quinta-feira que a prisão de Gaddafi poderia não significar o fim da campanha de bombardeios da Otan, que começaram em 31 de março.

"Vamos manter a operação enquanto o regime ou seus elementos continuarem representando uma ameaça aos civis", disse.

"Não está claro se quando ele (Gaddafi) for tirado, tudo vai necessariamente desmoronar; simplesmente, não sabemos isso. O que sabemos é que se ele tiver a capacidade de representar uma ameaça a civis, então realmente isso não importa."

Falando em Lisboa, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen disse que a Otan iria continuar sua missão enquanto os civis fossem ameaçados pelas forças de Gaddafi.

Um importante diplomata da Otan declarou que o mandato operacional da aliança, que expira este mês, seria estendido se necessário.

"Temos um mandato para proteger civis e vamos continuar fazendo isso. Se isso for conseguido antes de 26 de setembro, ótimo, se precisar de uma extensão do mandato além de 26 de setembro, teremos uma extensão do mandato," disse.

SUPERVISÃO DA OTAN NÃO ABRANGE O SUL

O diplomata, que falou sob anonimato, repetiu as declarações da aliança de que a Otan não estava procurando Gaddafi e deu a entender que sua vigilância em terra não cobre o sul da Líbia, nas regiões fronteiriças com países para onde Gaddafi pode ter fugido.

"O plano de operações que adotamos limitou a área das operações para a região costeira", disse ele.

"É muito caro e difícil monitorar o país inteiro, que é em grande parte desértico e muito grande, afirmou.

Gaddafi não é visto em público desde junho e seu paradeiro é um mistério desde que combatentes rebeldes tomaram o controle de seu quartel-general em Trípoli há duas semanas.

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