Seguidores de Sadr marcham pela queda do premiê iraquiano

Insurgentes cumprem ameaça e incendeiam oleodutos em Basra por ofensiva militar contra o Exército Mahdi

REUTERS

27 de março de 2008 | 07h40

Milhares de simpatizantes do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, marcharam em Bagdá nesta quinta-feira, 27, para protestar contra uma repressão aos seus seguidores que já dura três dias e pediram a queda do governo do Iraque apoiado pelos Estados Unidos. Cumprindo a promessa feita no início da semana, sabotadores atacaram dois importantes dutos de exportação de petróleo em Basra, interrompendo um terço das exportações da cidade, que fornece 80% da receita do governo.   Veja também: Sadr, líder xiita, ocupa papel-chave para a paz Ocupação do Iraque  Soldados dos EUA falam da vida no Iraque    Autoridades impuseram toques de recolher em todo o sul do Iraque num esforço para suspender a violência depois de uma grande ofensiva militar promovida pelas forças iraquianas contra o Exército Mahdi. Mais de 100 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas desde que o governo lançou a operação na cidade de Basra, sul do país, na terça-feira. Os combates dividiram a maioria xiita do Iraque e prejudicou um cessar-fogo declarado ano passado por Sadr.   Grandes manifestações aconteceram nos distritos de Sadr City, Khadhimiya e Shula. Uma fonte do Ministério do Interior disse que centenas de milhares de pessoas foram para as ruas. "Exigimos a queda do governo Maliki. Ele não representa o povo. Ele representa Bush e Cheney", disse o morador de Sadr City Hussein Abu Ali.   "O governo quer erradicar o movimento de Sadr antes das eleições provinciais. Estamos protestando - mulheres, crianças e homens - para exigir o fim das operações militares. Esses são nossos irmãos", disse um homem que se identificou como Abu Ammar. "A operação (militar) ainda está ocorrendo e vai continuar até que Basra esteja livre de criminosos e foras-da-lei", disse o major-general Abdul-Aziz Mohammed, chefe de operações do Ministério da Defesa do Iraque, disse a repórteres em Bagdá.   Os combates se espalharam nos últimos dois dias para as cidades de Kut, Hilla, Diwaniya, Amara e Kerbala, todas no sul do país, assim como em vários bairros xiitas de Bagdá.   Ameaça cumprida   Um grupo de homens armados, supostamente militantes xiitas, atacaram a ligação de um oleoduto da companhia Southern Oil Company na cidade de Basra, segunda maior do país. Segundo o jornal espanhol El Pais, este é o primeiro ataque contra uma instalação petrolífera desde que começaram os enfrentamento entre o governo iraquiano e a milícia xiita, que tinha ameaçado incendiar postos petrolíferos da região se a operação não fosse encerrada.   Segundo um representante da companhia, o oleoduto foi "gravemente danificado com bombas". Os preços do petróleo nos Estados Unidos subiram mais de US$ 1, para cerca de US$ 107 o barril após os ataques.

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