Youssef Karwashan/ AFP
Youssef Karwashan/ AFP

Seis pessoas morrem após ataque com foguete na entrada da Feira Internacional de Damasco

Evento mais importante da Síria voltou a ser realizado após cinco anos de ausência devido ao conflito

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2017 | 13h46

Um foguete que caiu neste domingo, 20, perto da entrada da Feira Internacional de Damasco, na Síria, provocou cinco mortes e deixou uma dezena de feridos, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Um membro da equipe de socorristas, que pediu anonimato, também informou à agência de notícias AFP um balanço de seis vítimas fatais, uma delas ainda não identificada.

A feira, relançada pelo governo sírio para tentar atrair novamente os investidores, foi inaugurada esta semana após cinco anos de ausência devido ao conflito. Encontra-se na entrada do reduto rebelde da Guta Oriental, a leste da capital.

A emissora estatal informou que "cidadãos ficaram feridos por um foguete" na entrada da feira, sem afirmar se havia mortos ou quantos eram.Inclusive, divulgou entrevistas ao vivo na entrada da feira sem mencionar o incidente ou mostrar o local da explosão.

Uma página do Facebook que faz a recontagem do número de foguetes que caem sobre a capital mencionava quatro mortos e quatro feridos por este último.

"Nos preparávamos para receber os visitantes quando escutei uma explosão [...] e depois vi a fumaça ao lado da entrada", contou à AFP Iyad al-Jabiri, sírio de 39 anos que trabalha em um estande de tecidos.

O ataque acontece no mesmo dia em que o presidente sírio, Bashar Al-Assad, realizou um discurso no qual afirmou que o "o projeto do Ocidente" no país fracassou. Mesmo assim, acrescentou que isto "não significa" que seu esquadrão triunfou, dizendo que "a batalha continuará".

"Pagamos um preço caro na guerra (...) mas o projeto do Ocidente fracassou", afirmou Assad na inauguração de uma conferência do Ministério de Relações Exteriores.

O líder também afirmou que os atentados terroristas na Europa fizeram com que os governantes ocidentais mudassem suas posturas na Síria. Além disso, descartou que haja uma guerra civil no país e ressaltou que as Forças Armadas seguem realizando "um avanço após outro" contra o terrorismo, o que é "objetivo e base de qualquer trabalho" do seu Exército.

Assad ainda elogiou o papel da Rússia, do Irá e do grupo xiita libanês Hezbollah, que "não pararam de apoiar, com todas as possibilidades, o Exército sírio" na luta contra o terrorismo. 

Evento econômico mais importante da Síria antes da guerra e uma das mais antigas do mundo árabe, a feira reabriu as suas portas na quinta-feira, 17. A última edição havia acontecido em 2011, alguns meses depois do início da revolta contra o governo.

As autoridades decidiram reabrir a exposição considerando que a calma voltou à Guta Oriental, uma das "zonas de distensão" designadas em julho após um acordo de trégua entre os aliados do governo e os rebeldes. / AFP E EFE

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