Sem ação concreta, Obama e Putin pedem calma na Síria

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, concordaram na segunda-feira sobre a necessidade de conter a violência na Síria, mas sem demonstrarem sinais concretos de que irão afinar suas diferenças a respeito de sanções mais duras contra Damasco.

MATT S, REUTERS

18 de junho de 2012 | 18h47

Diplomatas trocaram na última semana recriminações que evocavam a Guerra Fria, e a cúpula do G20 no México serve de teste para as relações entre os dois líderes e para a busca de pontos em comum a respeito da Síria e de outras divergências.

Obama e Putin conversaram durante cerca de duas horas, tempo superior ao previsto inicialmente. Na entrevista coletiva posterior, os dois tinham o semblante carregado.

"Concordamos que precisamos ver um cesse da violência, que um processo político precisar ser criado para evitar uma guerra civil", disse Obama. "Do meu ponto de vista", completou o russo, "encontramos muitos pontos em comum acerca dessa questão".

A Rússia é a mais importante aliada externa do presidente sírio, Bashar al Assad, e, junto com a China, usa seu poder de veto para barrar qualquer ação do Conselho de Segurança da ONU com vistas a interromper a violenta repressão dos últimos 15 meses a um movimento por democracia.

Putin suspeita das motivações dos EUA, especialmente depois da intervenção militar ocidental do ano passado que ajudou a derrubar outro aliado de Moscou, o líder líbio Muammar Gaddafi.

Embora Washington não demonstre apetite por uma nova intervenção como a da Líbia, a Rússia reluta em abandonar seu aliado Assad, tradicional comprador das suas armas. A eventual queda dele poderia levar a Rússia a perder sua última presença importante no Oriente Médio, o que inclui a ocupação de uma base naval no Mediterrâneo.

Obama e Putin tiveram no balneário mexicano de Los Cabos seu primeiro encontro desde que o russo reassumiu a Presidência russa, e num momento de tensão agravada na Síria, depois de a ONU retirar no fim de semana os observadores que deveriam monitorar um fracassado cessar-fogo.

Ao menos em público, os dois líderes evitaram salientar suas diferenças. Quando os jornalistas entraram no salão do hotel, Putin e Obama estavam inclinados, terminando uma conversa, sem sorrisos. Obama então iniciou um aperto de mãos, com ambos sentados.

Na sua vez de falar, Obama gesticulou algumas vezes na direção de Putin, que por sua vez manteve-se o tempo todo rijo na cadeira. Ao final das declarações, os repórteres foram retirados da sala, e os dois presidentes permaneceram em seus lugares, sem darem sinais de que voltariam a conversar.

(Reportagem adicional de Steve Gutterman)

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