Sem falar em 2 Estados, Netanyahu quer diálogo com palestinos

Premiê designado afirma que incentivar economia palestina não substitui negociações por acordo de paz

Agências internacionais,

25 de março de 2009 | 07h41

Benjamin Netanyahu, líder do partido de direita Likud e premiê designado para formar o próximo governo israelense, anunciou nesta quarta-feira, 25, que manterá negociações de paz com os palestinos, embora sem citar como solução a formação de dois Estados.

 

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Falando um dia depois de atrair o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, para uma parceria política, Netanyahu disse que sua intenção de cuidar da economia palestina não substituirá as conversas de paz. "Eu acho que os palestinos devem entender que eles têm em nosso governo um parceiro pela paz, pela segurança e pelo rápido desenvolvimento da economia palestina", disse ele em um pronunciamento em Jerusalém. Ele diz apostar na melhora do desenvolvimento econômico dos territórios palestinos para avançar rumo à paz, sem se referir, porém, à criação de um Estado palestino, solução que é a aposta tanto da comunidade internacional, como do governo Ehud Olmert.

 

"Negociarei com a Autoridade Nacional Palestina a paz". Segundo o líder da direita israelense, "a segurança, a prosperidade e a paz estão relacionadas". "A paz não é a última meta. É uma meta comum e duradoura para todos os israelenses e governos israelenses, inclusive o meu", acrescentou.

 

O comitê central do Partido Trabalhista aprovou na véspera um acordo para entrar na coalizão de governo, em uma decisão que foi tomada com a condição de que o próximo Executivo desenhe um plano de paz, continue as negociações com os palestinos e respeite os acordos assinados por Israel no passado. Antes do pleito de 10 de fevereiro, Netanyahu se limitava a apostar em uma "paz econômica", sem fazer referências a negociações de paz ou ao fim da ocupação dos territórios palestinos.

 

Uma coalizão israelense formada exclusivamente pela direita e extrema direita, avessa às negociações com a Autoridade Palestina (AP), poderia se chocar com o governo de Barack Obama, defensor da chamada "solução de dois Estados". Analistas indicam que a entrada de Barak no governo - político israelense que fez a maior oferta territorial à AP, durante as negociações de Camp David, em 2000 - deve reduzir os riscos de um distanciamento entre os governos americano e israelense. No texto aprovado, os trabalhistas reafirmam seu compromisso com "os acordos já firmados" por Israel.

 

Incumbido pelo presidente Shimon Peres de formar o governo por representar o campo majoritário na Knesset (Parlamento), Netanyahu tem até o dia 4 para montar a coalizão. Com o apoio trabalhista, o líder do Likud assegura 66 das 120 cadeiras do Legislativo. Netanyahu, no entanto, quer assegurar uma ampla base governista e deve buscar apoio de outros partidos de direita. O partido mais votado nas eleições de fevereiro, o Kadima, da chanceler Tzipi Livni, indicou que passará à oposição.

 

O Likud se reunirá nesta quarta com a equipe negociadora do partido de extrema direita União Nacional para tentar ampliar sua coalizão de governo. Para começar a fazer parte do gabinete, a União Nacional exige um Ministério que dê responsabilidades para o desenvolvimento de infraestruturas comunitárias nas comunidades israelenses nas regiões de Galileia e Neguev e nos assentamentos da Cisjordânia. Apesar do pacto alcançado com o Partido Trabalhista, os votos da União Nacional podem ser fundamentais para a formação do Executivo de Netanyahu, já que sete deputados trabalhistas mostraram ressalvas sobre uma aliança com o direitista Likud.

 

Expansão de assentamentos

 

Uma rádio do Exército israelense divulgou nesta manhã um suposto pacto entre Netanyahu e seu principal parceiro no governo, o líder do partido de extrema-direita Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, para ampliar a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia que, caso se concretize, dificultaria o processo de paz. O polêmico plano teria sido estipulado entre ambos os dirigentes, embora não se encontre no pacto de coalizão assinado por ambos na semana passada, e suporia a construção de três mil novas casas na colônia de Malé Adumin, vizinha a Jerusalém.

 

O desenvolvimento desse assentamento judaico impediria a construção de casas palestinas no terreno que separa Ramallah de Jerusalém Oriental, afastando a possibilidade de que se transforme em capital de seu futuro Estado, tal como pedem os palestinos.

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