Será difícil para EUA evitar ação palestina na ONU, diz Mitchell

Ex-enviado americano para o Oriente Médio se mostra pessimista quanto às negociações

REUTERS

08 Setembro 2011 | 12h49

WASHINGTON - O ex-enviado especial dos Estados Unidos para a paz no Oriente Médio, George Mitchell, disse nesta quinta-feira que havia poucas chances de as autoridades norte-americanas conseguirem persuadir os líderes palestinos a não tentarem um reconhecimento maior nas Nações Unidas.

 

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Mitchell, que deixou o cargo em maio depois de mais de dois anos de esforços infrutíferos para obter a paz entre palestinos e israelenses, estava pessimista com relação às chances de progresso nos próximos meses, mas mais otimista a longo prazo.

 

Os palestinos prometeram melhorar o status deles na ONU, seja buscando a participação plena nas Nações Unidas para o Estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, seja buscando o reconhecimento como um "estado não-membro".

 

Os Estados Unidos e Israel são contra isso. Eles dizem que o conflito deve ser resolvido em negociações diretas e que tomar medidas nas Nações Unidas iria afastar ainda mais os dois lados.

 

David Hale, o substituto de Mitchell como o enviado da paz americano no Oriente Médio, e o assessor da Casa Branca Dennis Ross se reuniram com o presidente palestino Mahmoud Abbas na quarta-feira, num último esforço dos EUA de impedir a proposta palestina na ONU.

"Acho que era e é pouco provável que eles sejam bem-sucedidos naquele esforço", disse Mitchell em uma conferência sobre a paz na Universidade Georgetown em Washington.

Se os palestinos ignorarem os EUA e a oposição israelense e buscarem uma participação plena de um Estado palestino na ONU, com o leste de Jerusalém como sua capital, a tentativa provavelmente irá falhar porque Washington vai vetá-la no Conselho de Segurança da ONU.

Ainda não se sabe se os palestinos vão buscar uma participação plena, a melhora no status de observador ou ambos.

Mitchell, que ajudou a forjar o acordo que pôs fim ao conflito na Irlanda do Norte, disse mais cedo à plateia que via poucas chances de progresso nos próximos meses, mas que estava mais otimista em longo prazo.

"Há obstáculos tremendos para serem superados, e um deles é a situação política interna nos dois lados", disse Mitchell.

"Nós vimos nosso país profundamente dividido nas principais questões políticas (e) não deveríamos nos surpreender que circunstâncias similares existam em outros países, o que dificulta aos líderes tomarem medidas necessárias para sair das posições atuais em direção ao que eu acho que é o resultado principal", acrescentou.

"A curto prazo, e quero dizer com isso nos próximos meses, é difícil ser muito otimista, para dizer o mínimo", disse.

"Mas acredito que a médio e longo prazo há uma base para acreditar que eles serão capazes de tomar essas medidas principalmente porque a circunstância atual, segundo julgo, está insustentável e as duas sociedades enfrentam riscos muito grandes se continuarem o conflito."

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