Série de atentados matam 34 pessoas em Bagdá

Mais de 90 foram feridos nos ataques na capital iraquiana; quatro deles envolveram carros-bomba

Agência Estado e Associated Press,

06 de abril de 2009 | 07h57

Seis bombas explodiram em zonas xiitas de Bagdá nesta segunda-feira, 6, matando 34 pessoas e ferindo mais de 90, em uma dramática escalada da violência no Iraque. Os ataques ocorrem no momento em que os militares norte-americanos diminuem sua presença, com vistas ao prazo de 30 de junho para a retirada das tropas de combate dos EUA das cidades iraquianas.

 

Sobreviventes furiosos lançaram pedras em soldados iraquianos no local de uma das explosões, em Cidade Sadr. Tropas dispararam para o alto para dispersar a multidão, atrapalhando inclusive pessoas que socorriam vítimas, segundo testemunhas. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques. Porém um porta-voz militar dos EUA apontou que aparentemente trata-se de uma ação coordenada da Al-Qaeda. O atentado mais violento ocorreu em um mercado no oeste da capital, onde dois carros-bomba explodiram quase simultaneamente, matando 12 pessoas e ferindo 29 outras, segundo um oficial de polícia iraquiano.

 

O violento dia começou com a explosão de um carro-bomba às 7h30 (hora local), no centro da cidade, matando seis pessoas e ferindo 16, segundo um policial. A maioria das vítimas eram trabalhadores buscando emprego, disse a fonte. Mais tarde, uma bomba em um carro estacionado explodiu em um mercado no empobrecido bairro xiita de Cidade Sadr, matando dez pessoas, entre elas três mulheres e quatro crianças, e ferindo outras 28 pessoas, segundo fontes médicas e policiais. Alguns minutos depois, outra bomba explodiu em outro mercado no leste de Bagdá, matando três pessoas e ferindo 15.

 

Uma bomba colocada à beira da estrada matou três pessoas do comboio de um funcionário do Ministério do Interior. Entre as vítimas havia dois guardas do funcionário, que não foi atingido. Oito pessoas ficaram feridas, segundo uma fonte do setor de segurança.

 

Funcionários norte-americanos insistem que a violência caiu 90% desde seu pico no país, em 2007. Porém um recente aumento dos ataques levanta o temor de que os extremistas possam estar se reorganizando. A tensão tem crescido em Bagdá nas últimas semanas, entre o governo liderado por xiitas e a maioria dos grupos paramilitares sunitas. Esses grupos foram organizados pelos EUA, para garantir a segurança em suas vizinhanças.

 

No mês passado, tropas iraquianas reprimiram um levante de um grupo paramilitar no centro da capital, iniciado após a prisão do líder desse grupo. Os paramilitares, conhecidos como Conselhos dos Despertar ou Filhos do Iraque, também reclamam que vários de seus membros foram presos, no que temem que pode ser uma iniciativa para marginalizá-los.

 

Também nesta segunda-feira, os EUA anunciaram que um soldado norte-americano foi morto em ação no domingo, na província de Diyala, onde os insurgentes permanecem ativos. Foi a primeira morte de um militar dos EUA no país desde 16 de março, quando um soldado morreu após ser vítima de uma bomba em Bagdá. Também em Diyala, homens armados não identificados mataram dois curdos na noite de domingo em Jalula, 125 quilômetros a nordeste da capital, segundo um capitão do Exército iraquiano, Sarjo Ahmed.

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