Síria amplia repressão contra protestos em Homs

Moradores denunciam ação brutal do Exército para coibir marchas em oposição a Assad

Reuters

21 de julho de 2011 | 11h37

BEIRUTE - O Exército da Síria intensificou suas operações na cidade de Homs, que se tornou o epicentro dos protestos pró-democracia, disseram ativistas e moradores na quinta-feira, 21. Tiros e explosões foram ouvidos no bairro antigo de Bab Sbaa, segundo testemunhas.

 

Veja também:

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

 

"Há vítimas e muitas pessoas foram presas. Estamos muito assustados", disse um morador da cidade, que se identificou apenas como Ahmed. Um morador de outro bairro disse que os hospitais locais estão pedindo doações de sangue depois de receberem feridos de Bab Sbaa.

 

 

"Há uma forte mobilização militar em Homs; barreiras militares estão em todas as partes da cidade. Há tiroteios intensos em Bab Sbaaa, uma casa foi incendiada, e as condições humanitárias são complicadas", disse em nota o grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos.

 

 

Um ativista em Homs disse que o Exército invadiu casas em Bab Sbaa. Um morador da cidade relatou à Reuters por telefone que o Exército fez disparos no bairro de Khalidiya (leste) contra pessoas que deixavam a mesquita de Khaled Ibn al Walid nas primeiras horas da manhã.

É difícil verificar os relatos das testemunhas, porque as autoridades sírias expulsaram do país a maioria dos jornalistas estrangeiros.

Homs tem sido o centro dos protestos pela renúncia do presidente Bashar al Assad e em apoio a liberdades políticas. Há forte tensão entre a maioria sunita e membros da minoria alauita, mesma seita à qual pertence Assad. Isso gera temores de que o movimento pró-democracia, até então pacífico, descambe para um conflito sectário.

Nesta semana, houve confrontos armados entre moradores sunitas e alauitas de Homs quando os corpos de três homens alauitas foram entregues mutilados aos seus parentes, disse o Observatório na segunda-feira.

O número total de mortos em Homs desde o fim de semana subiu para pelo menos 33, segundo ativistas e moradores. É difícil verificar se essas pessoas foram mortas por forças do governo ou por moradores em conflito.

Organizações de direitos humanos afirmam que pelo menos 1.400 civis já foram mortos desde que os protestos contra Assad começaram, em março. As autoridades sírias atribuem a violência no país a grupos armados ligados a militantes islâmicos, e dizem que pelo menos 500 soldados e policiais já foram mortos desde março.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.