Síria apresenta primeiros detalhes sobre seu arsenal químico

País, no entanto, ainda precisa entregar mais informações para iniciar processo de desarmamento que evite intervenção militar dos EUA

Reuters,

21 de setembro de 2013 | 09h16

A Síria apresentou nesta sexta-feira em Haia alguns detalhes sobre seu arsenal químico, mas ainda precisa preencher lacunas até a semana que vem para iniciar um rápido processo de desarmamento que evite uma intervenção militar dos Estados Unidos.

 

Uma porta-voz da Organização para a Proibição das Armas Químicas, órgão que supervisionará a neutralização do arsenal, disse: "Recebemos parte da verificação, e esperamos mais".

 

Ela não disse o que faltava no documento, que um diplomata da Organização das Nações Unidas descreveu como "bastante longo". O Conselho Executivo da Opaq, com 41 membros, deve se reunir no começo da semana que vem para analisar a declaração síria e definir a implementação de um acordo selado na semana passada por EUA e Rússia, prevendo a eliminação completa do arsenal em nove meses.

O acordo previa que até o final desta semana a Síria deveria apresentar um relatório completo sobre as armas químicas em seu poder. Especialistas dizem que o governo sírio possui cerca de mil toneladas de gás mostarda, VX e sarin - o agente que inspetores da ONU disseram ter sido usado no ataque de 21 de agosto contra subúrbios de Damasco dominados por rebeldes.

 

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, conversou por telefone na sexta-feira com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e concordou em manter a cooperação dos dois países "não só rumo à adoção das regras e regulamentos da Opaq, mas também de uma resolução que seja firme e forte dentro da ONU".

 

Um diplomata ocidental alertou que, se Assad não prestar conta de todo o arsenal que se suspeita existir, as potências mundiais buscarão uma ação do Conselho de Segurança da ONU que o obrigue a isso.

Marie Harf, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que o governo norte-americano o vai examinar o material, pois "uma lista precisa é vital para assegurar a implementação efetiva".

 

Os EUA e seus aliados dizem que o relatório divulgado nesta semana por inspetores da ONU não deixa dúvidas de que o governo de Bashar al Assad foi o responsável pelo ataque de 21 de agosto, que matou centenas de pessoas. Assad, no entanto, diz que o ataque foi cometido por rebeldes sírios, e sua aliada Rússia afirma que a responsabilidade não está esclarecida. 

 

Mesmo assim, o governo sírio aceitou o plano para abrir mão do arsenal químico e evitar o ataque norte-americano. Damasco também anunciou a intenção de aderir à Opaq.

 

A direção da Opaq deve aprovar o plano Lavrov-Kerry numa reunião no começo da semana que vem, e depois disso o Conselho de Segurança da ONU deverá dar seu aval ao arranjo, que representa um raro consenso na comunidade internacional em dois anos e meio de guerra civil síria.

 

Mas a Rússia, que tem poder de veto, continua se opondo a tentativas ocidentais de aprovar uma resolução que ameace explicitamente a Síria com punições, conforme previsto no artigo 7º da Carta da ONU. Moscou diz que só se não houver cooperação de Damasco aceitará discutir formas de coagir a Síria.

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