Síria autoriza investigação nuclear da ONU

A Agência Internacional de EnergiaAtômica (AIEA, um órgão das Nações Unidas) disse nasegunda-feira que a Síria autorizará a entrada de inspetorespara examinar as suspeitas de que o país mantém instalaçõesnucleares secretas. Damasco entrou para a lista de preocupações da AIEA depoisque em abril os Estados Unidos revelaram suspeitas de que aCoréia do Norte teria ajudado os sírios a construírem um reatornuclear destruído em setembro de 2007 por Israel. Mohamed El Baradei, diretor da AIEA, disse que seusprincipais assessores irão à Síria entre os dias 22 e 24 dejunho. Há meses diplomatas ocidentais acusam o governo sírio dedificultar o acesso dos investigadores. A viagem deve incluir visitas dos inspetores à remotalocalidade de Al Kabir, onde ficava o suposto reatorbombardeado por Israel, e dois ou três outros lugares, segundofontes diplomáticas. A Síria qualifica as acusações como "ridículas" e nãocomentou o anúncio das investigações, feito por Baradei nareunião ordinária dos 35 países que compõem a direção da AIEA. Washington diz que o reator de Al Kabir, no nordeste sírio,estava quase pronto quando foi destruído. Analistas dizem, combase em fotos de satélite, que desde então a Síria já limpou aárea e construiu um novo prédio ali, possivelmente paraesconder provas. A Síria diz que o bombardeio israelense destruiu apenas umainstalação militar ociosa, sem relação com qualquer programanuclear. A respeito do Irã, que também nega a intenção dedesenvolver armas nucleares, El Baradei disse que a AIEAencontrou novas informações que podem esclarecer as atividadesdo país, "em particular a respeito de testes com explosivos dealta capacidade e atividades relacionadas a mísseis". Mas ele afirmou que qualquer conclusão sobre a verdadeiranatureza do programa nuclear do Irã depende da "totaltransparência" de Teerã. Os novos dados constam de 18 documentos sigilosos resumidosbrevemente ao final do último relatório da AIEA sobre o Irã,divulgado em 26 de maio -- uma medida extraordinária,refletindo a gravidade com que a agência trata essa informação. O Irã diz estar enriquecendo urânio não para armasnucleares, e sim para usinas que gerem eletricidade e permitamao país exportar os seus excedentes energéticos. Teerã já sofreu três rodadas de sanções da ONU, mas serecusa a suspender seu programa de enriquecimento em troca debenefícios comerciais.

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