Síria bombardeia principais cidades e enfraquece trégua

Violência ocorre no segundo dia do cessar-fogo pedido pelo enviado internacional de paz, Lakhdar Brahimi

Oliver Holmes, Reuters

27 de outubro de 2012 | 15h59

BEIRUTE - Forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad, voltaram a bombardear as principais cidades neste sábado e rebeldes lançaram vários ataques, enfraquecendo ainda mais uma trégua para assinalar o feriado islâmico de Eid al-Adha.

A violência, relatada por moradores, simpatizantes da oposição e pelo governo sírio, ocorre no segundo dia do cessar-fogo pedido pelo enviado internacional de paz, Lakhdar Brahimi, que esperava usá-lo para criar condições para pôr fim a um conflito que já dura 19 meses, e no qual cerca de 32.000 pessoas morreram.

A agência de notícias estatal síria SANA divulgou dezenas de "violações do cessar-fogo" de grupos rebeldes, incluindo um carro-bomba que explodiu em frente a uma igreja cristã na cidade de Deir al-Zor, no leste.

Ativistas em Deir al-Zor e em Aleppo, a cidade mais populosa da Síria e cuja metade está sob controle dos rebeldes, disseram que bombas de morteiros foram disparadas em áreas residenciais.

Moradores de Damasco postaram na Internet imagens de caças que, segundo eles, estavam bombardeando os subúrbios de Erbin e Harasta. Oito pessoas foram mortas, segundo os moradores e o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização da oposição sediada em Londres com uma rede de fontes dentro da Síria.

Não foi possível verificar as ocorrências devido às restrições da Síria ao acesso da mídia.

O exército disse ter concordado com o cessar-fogo, mas que tem o dever de responder aos ataques rebeldes.

Um comandante do Exército Livre Sírio, rebelde, disse que sua força iria honrar a trégua, mas exigiu que Assad atendesse aos pedidos da oposição para a libertação de centenas de presos. Alguns militantes islamistas, incluindo Nusra Front, disseram que continuariam a luta.

Mais de 150 pessoas foram mortas na sexta-feira, inclusive 43 soldados, disse o Observatório para os Direitos Humanos. A maioria foi morta a tiros disparados por franco-atiradores ou em combate, disse o Observatório.

Preocupações sectárias

O conflito contrapõe Assad, cuja seita minoritária alauíta tem ligação distante com o Islã xiita, aos rebeldes, em grande parte muçulmanos sunitas. Os últimos ataques, como a bomba de sábado, apontam para um conflito sectário cada vez maior.

O Observatório divulgou comunicado no sábado condenando um confronto na sexta-feira no distrito de Ashrafieh, em Aleppo, entre rebeldes e uma ala armada do Partido de União Democrática Curda, que deixou 30 mortos.

"(A luta) ameaça terríveis consequências. Vai funcionar no interesse do regime, que está se esforçando para incitar o sectarismo nacional", disse o chefe do Observatório, Rami Abdelrahman.

A TV estatal síria disse que duas pessoas morreram em Ashrafieh depois que "terroristas" abriram fogo contra uma manifestação que pedia para que eles deixassem a região.

Os curdos sírios sempre enfrentaram discriminação, falta de direitos plenos de cidadania e desalojamentos forçados. Mas Assad tentou dissuadi-los de se unir ao levante contra ele que começou em março de 2011, prometendo-lhes cidadania.

Violações na trégua

Um cinegrafista da Reuters no vilarejo de Besaslan, na província de Hatay, que fica no sul do país e faz fronteira com a Turquia, disse que ouviu um helicóptero circulando do lado sírio da fronteira, além de tiros e explosões.

Ambulâncias turcas transportavam feridos de um posto de cruzamento não oficial para serem tratados na Turquia.

O apelo por cessar-fogo de Brahimi ganhou amplo apoio internacional, inclusive da Rússia, China e Irã, os principais aliados estrangeiros de Assad.

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