Síria diz à Rússia que não usará armas químicas--jornal

A Rússia acredita que a Síria não tem intenção de usar armas químicas e é capaz de protegê-las, relatou o jornal russo Kommersant nesta quarta-feira, citando um funcionário do Ministério das Relações Exteriores.

STEVE GUTTERMAN, Reuters

22 de agosto de 2012 | 13h46

A reportagem parecia ter o objetivo de tranquilizar o Ocidente de que o presidente sírio, Bashar al-Assad, não vai usar armas químicas contra os rebeldes após o presidente dos EUA, Barack Obama, ameaçar com "consequências enormes" se Damasco até mesmo deslocá-las de uma forma ameaçadora.

Um "diálogo confidencial" com o governo sírio sobre a segurança do arsenal convenceu a Rússia de que "as autoridades sírias não pretendem usar essas armas e são capazes de mantê-las sob controle elas mesmas", informou o Kommersant.

O Ministério das Relações Exteriores russo não quis comentar imediatamente sobre a reportagem, que citou o funcionário, cujo nome não foi revelado, dizendo que a Rússia considerou "inteiramente provável" que os Estados Unidos tomem uma ação militar se virem uma ameaça de armas químicas.

A Rússia se opõe veementemente à intervenção militar na Síria, onde Assad deu a Moscou seu apoio mais firme no Oriente Médio nos últimos anos, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, advertiu o Ocidente contra uma ação unilateral na terça-feira.

Rússia e China vetaram três resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas apoiadas pelo Ocidente que teriam aumentado a pressão sobre Assad para parar o derramamento de sangue que, segundo a ONU, já matou mais de 18.000 pessoas desde que os protestos começaram em março de 2011.

Mas depois que um oficial sírio reconheceu no mês passado que o país tinha armas químicas e poderia usá-las contra agressores externos, a Rússia contou que disse à Síria que até mesmo a ameaça de empregar o arsenal era inaceitável.

O Kommersant também citou o funcionário do Ministério das Relações Exteriores dizendo que os Estados Unidos tinham "firmemente alertado insurgentes para nem sequer chegar perto de locais de armazenamento de armas químicas e fábricas de produção" e que "os grupos de oposição estão atendendo" a essas demandas.

"Isso mostra que o Ocidente pode exercer influência muito específica sobre opositores de Assad quando quer fazer isso", disse o funcionário.

A Rússia, que autoridades ocidentais afirmam ter agravado a violência na Síria ao blindar Assad da pressão por meio de seus vetos no Conselho de Segurança, afirma que o Ocidente está incentivando rebeldes e precisa, ao contrário, pressioná-los a parar de lutar.

"Nossos parceiros ocidentais ainda não fizeram nada para influenciar a oposição e induzi-la a entrar em diálogo com o governo", disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores nesta quarta-feira.

"Em vez disso, eles abertamente estão incentivando-a a continuar a luta armada", disse. "Claramente, é impossível alcançar uma solução política para a crise através de tais métodos."

O comunicado afirmou que as nações ocidentais se recusaram até mesmo a discutir na semana passada a proposta russa para os membros do Conselho de Segurança e vizinhos da Síria para emitir uma declaração pedindo que o governo e seus inimigos parem de lutar e comecem negociações.

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