Síria diz que Europa quer disseminar caos no país

A Síria menosprezou na quarta-feira as críticas feitas pela União Europeia ao governo sírio pela repressão violenta ao levante popular, dizendo que isso mostra que a Europa quer disseminar o caos no país.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

22 de junho de 2011 | 15h00

O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, disse estar confiante de que, apesar da crescente pressão internacional sobre a Síria e dos três meses de levante contra o governo de 41 anos da família Assad, não haverá intervenção militar estrangeira em seu país nem a imposição de uma zona de exclusão aérea como a Otan decretou sobre a Líbia.

"As reações das autoridades da União Europeia ao discurso do presidente Assad mostram que eles têm um plano e querem continuar com ele; eles querem disseminar a discórdia e o caos na Síria", afirmou Moualem numa entrevista coletiva em Damasco.

"Parem de intervir nos assuntos da Síria, não incitem o caos nem a discórdia, o povo sírio é capaz de produzir o seu próprio futuro longe de vocês...Qualquer intervenção externa é repudiada."

Os países da UE selaram um acordo político na quarta-feira a fim de estender as sanções contra a Síria a quatro entidades ligadas aos militares e a sete indivíduos, incluindo três iranianos, associados à repressão de dissidentes.

"Há um acordo político para a ampliação da lista", afirmou um diplomata europeu, acrescentando que as novas sanções entrarão em vigor na sexta-feira, depois que todos os 27 Estados da UE tenham dado sua aprovação formal na quinta-feira.

Moualem advertiu que a Síria irá se voltar a outras regiões para o comércio e para obter apoio.

"Esqueceremos que a Europa está no mapa e nos voltaremos para o leste, para o sul e a todas as direções que estendam a mão à Síria. O mundo não é apenas a Europa. A Síria permanecerá inabalável", disse ele na entrevista coletiva em Damasco.

Antes do levante, países do Ocidente vinham retomando as relações com o governo sírio depois de um período em que o isolaram para tentar enfraquecer sua aliança estratégica com o Irã.

A Reuters monitorou a transmissão pela TV de fora do país, já que a Síria expulsou seus correspondentes.

Em um discurso na segunda-feira, o terceiro desde o início dos protestos nos quais morreram 1.300 civis, segundo grupos de direitos humanos, Assad prometeu reformas e fez um apelo por diálogo nacional.

Muitos sírios e líderes mundiais criticaram as promessas, classificando-as de inadequadas e ultrapassadas.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis em Amã, de David Brunnstrom e Julien Toyer em Bruxelas e de Tulay Karadeniz em Ancara)

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