Síria diz que Israel planeja ataque e nega fornecer mísseis para o Hezbollah

Estado judeu acusou árabes de vender foguetes de longo alcance para radicais libaneses

Efe e Reuters

15 de abril de 2010 | 10h15

DAMASCO - O governo da Síria tem que Israel esteja preparando um ataque contra Damasco após ser acusada pelo Estado judeu de vender mísseis Scud de longo alcance para o grupo radical islâmico Hezbollah, do Líbano, disse nesta quinta-feira, 15, o governo sírio.

 

"Israel planeja aumentar as tensões na região e criar uma atmosfera para um possível ataque", disse o chanceler sírio. "A República Árabe Síria nega a fabricação desses foguetes", completou. Um funcionários do governo de Israel alegou que os Scuds foram enviados ilegalmente para o Hezbollah nos últimos dois meses.

 

Na terça-feira, o presidente de Israel, Shimon Peres, acusou a Síria de enviar mísseis para o Hezbollah. Os EUA se mostraram "bastante preocupados" na quarta-feira a respeito do comércio dos foguetes. O Hezbollah, que empreendeu uma guerra contra Israel em 2006, é apoiado pelo Irã, desafeto de americanos e israelenses.

 

"A Síria segue com sua linguagem dúbia: por um lado, fala da paz, e por outro fornece mísseis sofisticados ao Hezbollah, que ameaça Israel", declarou Peres após uma reunião com o primeiro-ministro da França, François Fillon, segundo nota divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores israelense.

 

A embaixada síria de Washington também negou as acusações, classificando-as como "tentativas de desviar a atenção de outros assuntos como a construção de assentamentos ilegais, a ocupação de terra árabes e seu arsenal nuclear".

 

Os EUA disseram que esse comércio poderia ter um "efeito desestabilizador" na região. A presença de armamentos avançados no Líbano poderia aumentar a propensão de um ataque preventivo de Israel. O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, disse em fevereiro que se Israel atacasse o aeroporto de Beirute, o grupo dispararia contra o aeroporto Ben-Gurion, em Tel-Aviv.

 

Mesmo com as crescentes tensões entre Israel e Síria, o presidente do país árabe, Bashar al-Assad disse em março que procurava restabelecer o processo de paz com o Estado judeu. Um dos principais pontos de desacordo entre as nações são as Colinas de Golan, território sírio tomado pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias de 1967.

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