Síria diz que libertará Colinas de Golã 'pela guerra ou pela paz'

Em entrevista, líder sírio afirma que Israel pode enfrentar a resistência contra ocupação por meio da violência

Agências internacionais,

02 Abril 2009 | 12h58

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, elevou o tom da retórica contra Israel, afirmando que "o dia em que as Colinas de Golã serão libertadas está próximo, seja pela paz ou pela guerra". A declaração foi feita para o jornal A-Sharq, do Catar, e publicada nesta quinta-feira, 2, no mesmo dia em que o chanceler israelense, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, descartou qualquer retirada do território ocupado por Israel como requisito para conseguir a paz com a Síria.

 

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As Colinas do Golã formam um território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967), não reconhecido internacionalmente, e que a Síria reivindica para assinar um acordo de paz com o Estado judeu. "Este inimigo não quer a paz. Qual é a alternativa? A rota paralela para o processo de paz é a resistência. Os israelenses não virão por vontade própria, então não há outra alternativa senão o medo".

 

Em suas primeiras declarações como ministro de Relações Exteriores, Lieberman descartou a retirada das Colinas do Golã como requisito para conseguir a paz com a Síria e afirma que "a paz só será feita em troca de paz". O líder sírio afirmou ainda, aponta o jornal israelense Haaretz, que as futuras gerações podem iniciar a resistência contra a ocupação, como ataques terroristas e violência. Segundo Assad, o tempo está trabalhando a favor dos árabes, e não de Israel.

 

Assad afirmou que homens-bomba promovem suas próprias missões apenas quando acreditam que essa seja uma causa justa, não quando são persuadidos a isso. "Para a resistência em Golã, há objetivos circunstanciais, especialmente porque a maior parte do território não é habitada por civis, já que a maioria deles foi expulsa por Israel em 1967".

 

Os comentários de Assad são semelhantes aos das últimas semanas. Enquanto insistem que estão prontos para negociar com qualquer governo israelense, incluindo o direitista Benjamin Netanyahu, a Síria exige a devolução do território como condição para a paz, mas os israelenses hesitam em abdicar da região. A alternativa, alertam, será a violência.

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