Síria diz que pode assinar acordo de paz árabe em breve

A Síria, cada vez mais isolada, impôs sanções retaliatórias à antiga aliada Turquia, mas disse nesta segunda-feira que poderia concordar "em breve" com um plano de paz árabe para evitar sanções de nações árabes por seus oito meses de repressão aos protestos.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

05 de dezembro de 2011 | 11h31

Em uma exibição de força que pode ter por objetivo deter qualquer ideia de uma intervenção militar estrangeira no país, envolto em uma crise que já deixou pelo menos 4.000 pessoas, o exército sírio organizou um grande exercício com foguetes, tanques e helicópteros.

Generais de alto escalão assistiram às manobras de guerra no domingo, e a televisão estatal síria mostrou os exercícios como o principal assunto do dia.

Já atingida pelas sanções econômicas dos Estados Unidos e da Europa, a Síria foi punida no mês passado por países da região, com sanções anunciadas pela Liga Árabe e impostas pela Turquia, antiga aliada do presidente Bashar al-Assad.

Na segunda-feira a Síria respondeu à Turquia com medidas retaliatórias, impondo uma tarifa de 30 por cento sobre suas importações e impostos sobre combustível e carga. A agência de notícias estatal Sana citou um economista pró-Assad dizendo que a Turquia seria "a maior perdedora".

As sanções da Liga Árabe ainda não entraram em vigor. A Liga prorrogou repetidamente os prazos para que Damasco concorde com um plano de paz que permitiria a presença de monitores árabes na retirada de tropas das cidades. O último prazo expirou no domingo.

O porta-voz do ministro das Relações Exteriores sírio, Jihad al-Makdesi, disse que o país ainda estudava o plano. "O protocolo deve ser assinado em breve", disse. "O governo sírio respondeu de forma positiva ao esboço do protocolo... estou otimista, embora eu espere primeiro a resposta da Liga Árabe."

A Síria alega que a proposta árabe de admitir observadores infringe sua soberania, e pediu esclarecimentos.

Iraque, Líbano e Jordânia, vizinhos da Síria, disseram que não se juntariam a uma campanha de sanções.

FOGUETES

A fim de lembrar o mundo do poderio militar sírio, a agência Sana e a TV estatal mostraram generais assistindo a um exercício com munição real envolvendo unidades de mísseis, brigadas mecanizadas e aeronaves para testar sua capacidade em "confrontar qualquer ataque" à Síria. Não divulgaram a escala das manobras de guerra.

"O general (Dawood Abdullah) Rajiha destacou que as forças armadas, sob a liderança do presidente Bashar al-Assad, permanecerão leais à pátria e irão defender os interesses do povo sírio", disse a Sana. Rajiha é ministro da Defesa.

Makdesi, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que as manobras militares eram um exercício "de rotina" e não tinham por objetivo passar nenhuma mensagem.

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