Síria e Israel trocam acusações em encontro de energia nuclear

A Síria acusou Israel nesta quarta-feira de representar uma ameaça ao mundo com seu "gigantesco arsenal nuclear militar", um dia depois de o governo israelense ter criticado Damasco por dificultar uma investigação da ONU sobre as atividades atômicas sírias.

FREDRIK DAHL, REUTERS

21 Setembro 2011 | 12h52

A troca de acusações entre os dois rivais, em um encontro anual de Estados membros da agência nuclear da ONU, destacou as profundas divisões entre os Estados árabes e Israel antes de negociações este ano sobre os esforços para livrar o mundo das bombas atômicas.

Estima-se que Israel detenha o único arsenal nuclear do Oriente Médio, o que provoca frequentes críticas iranianas e árabes.

Israel e os Estados Unidos veem o Irã - e a Síria - como as principais ameaças de proliferação do Oriente Médio, acusando Teerã de buscar desenvolver a capacidade de armas nucleares em segredo.

As nações árabes abandonaram o plano de apontar Israel por suas supostas armas nucleares na reunião desta semana de membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), descrevendo essa atitude como um gesto de boa-vontade antes das discussões de 21 e 22 de novembro.

Mas as declarações síria e israelense esta semana deixaram claro o alto nível de desconfiança antes do encontro, promovido pelo diretor geral da AIEA, Yukiya Amano, para debater a experiência de regiões em outras partes do mundo que baniram as armas nucleares.

As relações entre os dois são especialmente carregadas na arena nuclear. Israel bombardeou um local no deserto sírio em 2007 que a inteligência norte-americana disse ser um reator em construção, cujo objetivo seria produzir plutônio para armas nucleares. A Síria nega isso.

"No Oriente Médio há uma característica única: Israel é o único país que tem um arsenal nuclear militar, fora do alcance de qualquer controle internacional", disse o embaixador sírio Bassam Al-Sabbadh na conferência geral anual da AIEA.

Para que as negociações de novembro sejam bem-sucedidas, afirmou, "todos os participantes devem ser integrantes do TNP (Tratado de Não-Proliferação) e a agenda desse encontro deve dar atenção à questão de criar uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio".

Os Estados árabes, Israel e outros países deverão participar das negociações, que são vistas como um modo de iniciar um diálogo e ajudar a criar confiança.

Falando à conferência da AIEA na terça-feira, o chefe da Comissão de Energia Atômica de Israel, Shaul Chorev, criticou a Síria por ainda se recusar a permitir o acesso de inspetores nucleares da ONU a todas as suas áreas atômicas.

Falando também do Irã, Shaul Chorev disse: "Regimes que reprimem brutalmente seus cidadãos... não hesitam quanto a não cumprir suas obrigações legais sob a lei internacional.

"A comunidade internacional falhou em transmitir uma mensagem decisiva a tais governantes. (Eles) ainda consideram o não cumprimento como um risco baixo. A comunidade internacional deveria mostrar que estão enganados. Os violadores devem ser punidos", disse Chorev.

Israel nunca confirmou nem negou ter armas nucleares, seguindo uma política de ambiguidade para deter inimigos numericamente superiores. É o único país no Oriente Médio fora do TNP.

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