Síria e Líbano aceitam negociar demarcação de fronteiras

Após restabelecer relações diplomáticas, governos criam comissão para discutir limites, indefinidos de 1943

Agências internacionais,

14 de agosto de 2008 | 07h36

Um dia após o anúncio de que Síria e Líbano restabelecerão relações diplomáticas plenas, os dois países afirmaram nesta quinta-feira, 14, que concordaram em negociar a demarcação de suas fronteiras, antiga demanda libanesa para normalizar a diplomacia com os sírios. Comunicado conjuntos dos presidentes do Líbano, Michel Suleiman, e da Síria, Bashar al-Assad, diz que um comitê será formado para definir os limites dos dois territórios.   A fronteira entre o Líbano e a Síria permanece indefinida desde que os dois países se tornaram independentes da França, em 1943. Na quarta-feira, Suleiman foi recebido com tapete vermelho por al-Assad, na primeira visita depois de três anos turbulentos na região.   A Síria dominou o Líbano até que o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri, em 2005, pressionou o governo para o fim da presença militar de 29 anos. Suleiman, que foi chefe do Exército libanês, descreve suas relações com Damasco como excelentes. Segundo a BBC, muitos libaneses culpam Damasco pelo assassinato, mas a Síria nega envolvimento.   Questionado sobre se o acordo incluí as Fazendas de Shebaa, ocupadas por Israel e exigida pelo Líbano, o Ministro de Relações Exteriores libanês Walid al-Moualem, afirmou que a definição sobre essa região não pode acontecer sob ocupação. O grupo libanês Hezbollah, apoiado pela Síria e pelo Irã, diz que a ocupação israelense de Shebaa é uma das razões para permanecer militarizado.   Israel considera as Fazendas de Shebaa parte das Colinas de Golã, ocupadas em 1967, enquanto Síria e Líbano dizem que ela é parte do sul do território libanês, região desocupada por Israel em 2000. A ONU considera a retirada israelense concluída.   Segundo a BBC, os dois líderes se reuniram na quarta-feira um mês depois de uma reunião em Paris que contou com a presença de chefes de Estado de 43 países de Europa, norte da África e Oriente Médio. Na ocasião, ambos concordaram em reatar os laços e abrir embaixadas um no país do outro. "Os dois presidentes instruíram seus ministros do Exterior a dar os passos necessários nesse sentido, começando hoje", disse Buthaina Shaaban, assessora do presidente Assad.

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