Síria enfrenta mais pressão para acabar com violência

A Síria foi alvo de mais sanções europeias e críticas da Turquia e da Jordânia nesta segunda-feira após uma decisão surpresa da Liga Árabe de suspender a filiação da Síria por não ter acabado com os meses de violência contra manifestantes contrários ao presidente Bashar al-Assad.

ERIKA SOLOMON, REUTERS

14 de novembro de 2011 | 12h46

A Síria parece cada vez mais isolada, mas ainda tem o apoio da Rússia, que disse que a Liga Árabe tomou a decisão errada e acusou o Ocidente de estimular os adversários de Assad.

O Rei Abdullah, da Jordânia, disse que Assad deve renunciar pelo interesse de seu país. "Acredito que, se eu estivesse no lugar dele, eu deixaria o cargo", afirmou o rei à BBC World News em entrevista.

Ele disse que Assad deve começar uma nova era de diálogo político antes de renunciar para assegurar uma mudança no status quo.

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moualem, afirmou que a decisão da Liga, que entra em vigor na quarta-feira, foi "um passo extremamente perigoso" num momento em que Damasco estava implementando um acordo para acabar com a violência e iniciar um diálogo com a oposição.

A Síria já pediu uma cúpula emergencial da Liga Árabe, em um aparente esforço para evitar a sua suspensão.

A Liga, que ainda tem de responder ao pedido da Síria, planeja se reunir com grupos de oposição síria na terça-feira. Seu secretário-geral, Nabil Elaraby, disse no domingo que era muito cedo para a organização, sediada no Cairo, considerar o reconhecimento da oposição síria como autoridade legítima do país.

Autoridades da Liga Árabe se reuniram com grupos de direitos humanos árabes e outras organizações na segunda-feira para discutir formas de proteger os civis da violenta repressão a manifestantes e dissidentes.

Moualem disse que a Síria havia retirado as tropas de áreas urbanas, libertado prisioneiros e oferecido anistia aos insurgentes armados sob uma iniciativa acordada com a Liga Árabe duas semanas atrás.

Mas forças de segurança mataram a tiros oito manifestantes na cidade de Hama, no domingo, disseram ativistas. A proibição da Síria à presença da maioria dos meios de comunicação estrangeiros dificulta a verificação dos acontecimentos.

Moualem descreveu o apoio de Washington para a ação da Liga Árabe como "incitamento", mas expressou confiança de que Rússia e China continuariam bloqueando os esforços ocidentais para garantir uma ação do Conselho de Segurança da ONU, além de evitar qualquer intervenção estrangeira.

"O cenário da Líbia não será repetido", disse ele, argumentando que as nações árabes e ocidentais sabiam que teriam que pagar um preço militar mais elevado se enfrentarem o Exército da Síria.

Foi a decisão da Liga Árabe de suspender a Líbia e estabelecer uma zona de exclusão aérea que ajudou a persuadir o Conselho de Segurança da ONU a autorizar uma campanha aérea da Otan para proteger os civis, que também ajudou os rebeldes que derrubaram e mataram Muammar Gaddafi.

A televisão estatal síria disse que milhões de sírios denunciaram a decisão da Liga Árabe em manifestações no domingo e mostrou multidões com bandeiras sírias e cartazes de Assad em Damasco, e nas cidades de Raqqa, Latakia e Tartous.

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