Síria entrega proposta para acordo de paz com Israel

Presidente sírio afirma que negociações estão suspensas até que o novo premiê israelense seja eleito

Associated Press e Reuters,

04 de setembro de 2008 | 08h57

O presidente da Síria, Bashar Assad, revelou nesta quinta-feira, 4, que Damasco entregou aos mediadores turcos o esboço de uma proposta para a paz com Israel e informou que seu governo aguarda a resposta israelense para que o próximo passo possa ser a realização de negociações diretas. No entanto o líder sírio anunciou que a próxima reunião de negociações indiretas entre seu país e Israel, que aconteceria na Turquia, foi adiada em função da renúncia do chefe da equipe de negociação israelense e depende de quem será o próximo premiê e de sua intenção de fazer ou não a paz com a Síria.   Veja também: Entenda a disputa sobre as Colinas de Golan   O atual primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, antecipou que deixará o cargo este mês, assim que seu partido, o Kadima, definir quem o sucederá. Olmert é investigado em um caso de corrupção. Conseqüentemente, a incerteza política em Israel afeta o andamento dos contatos de paz tanto com os sírios quanto com os palestinos.   O gabinete de Olmert recusou-se a emitir comentário sobre o anúncio de Assad. As negociações entre Damasco e Tel-Aviv têm sido realizadas por intermédio do governo da Turquia.   Em conversa com jornalistas em Damasco, Assad observou também que as negociações diretas talvez tenham que esperar a posse do próximo presidente dos Estados Unidos, em janeiro do ano que vem, num reconhecimento explícito à importância do apoio americanos às negociações. Ele não forneceu mais detalhes.   Os comentários do líder sírio foram feitos na abertura de uma reunião de cúpula com líderes da França, da Turquia e do Qatar sobre a estabilidade e a paz no Oriente Médio. A Síria pede a Israel que lhe devolva as Colinas de Golan, tomadas em 1967, e insiste que as negociações de paz só darão certo com mediação americana. Mas isto é improvável sob o presidente George W. Bush, que acha a Síria um aliado do Irã e de grupos hostis aos interesses de seu país.     Colinas de Golan   Israel e Síria são inimigos e as tentativas de alcançar a paz fracassaram várias vezes no passado, a última delas em 2000. Houve três guerras entre ambos, além de combates no Líbano. A paz com a Síria exigiria de Israel a retirada das Colinas de Golan, uma área estratégica capturada em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e depois anexada. Hoje, as colinas são morada para 18 mil israelenses e quase o mesmo número de árabes drusos - estes se consideram cidadãos sírios. As forças dos dois países são separadas por capacetes azuis das Nações Unidas.   Os israelenses em geral consideram o Golan uma importante zona-tampão contra um eventual ataque da Síria. Com seus vinhedos e pequenas pousadas, a região também é uma atração popular entre os turistas israelenses. Poucas semanas atrás, Olmert passou um feriado na região.   Israel, por sua vez, quer que a Síria - que oferece refúgio para grupos militantes como o Hamas e a Jihad Islâmica e apóia o grupo libanês xiita Hezbollah - se distancie dessas organizações e também do Irã. Essas condições, porém, parecem ter sido retiradas ou ao menos flexibilizadas no momento.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.