Síria exige desculpas e indenização por ataque americano

Ofensiva militar deixou oito mortos no domingo; país ordena o fechamento de instituições dos EUA

Agência Estado e Associated Press,

29 de outubro de 2008 | 17h44

A Síria quer que os Estados Unidos e o Iraque peçam desculpas pelo bombardeio que no último dia provocou a morte de oito pessoas em um povoado próximo da fronteira sírio-iraquiana, paguem indenização e prometam que episódios como este não se repetirão. A exigência de Damasco foi anunciada nesta quarta-feira, 29, pelo vice-ministro sírio de Relações Exteriores, Faiçal Mekdad, horas depois de a Embaixada dos Estados Unidos na Síria ter advertido aos cidadãos americanos no país para que "permaneçam atentos."   Veja também: Ministra síria diz que EUA 'mataram inocentes e a soberania' Síria manda fechar escola e centro cultural americanos Bagdá condena ataque atribuído aos EUA na Síria   Mekdad rejeitou a versão americana de que o ataque de domingo tenha matado um ativista do grupo extremista Al-Qaeda no Iraque. O ativista seria Abu Ghadiyah e, segundo os serviços secretos americanos, estaria prestes a promover um ataque no Iraque. Numa entrevista concedida à Associated Press, Mekdad voltou a afirmar que todos os mortos no bombardeio eram civis sírios. Ele defendeu ainda que o Iraque os Estados Unidos paguem indenização à Síria.   O vice-ministro também pediu ao Iraque que investigue o episódio e que o território do país não seja usado para atacar a Síria novamente, pois isso prejudicaria as relações e a aplicação dos acordos bilaterais. Mais cedo, ao divulgar o alerta aos cidadãos americanos, a embaixada dos EUA em Damasco informou que poderia fechar temporariamente as portas para o atendimento ao público.   Na operação de domingo, quatro helicópteros americanos lançaram um ataque contra um edifício e mataram oito pessoas num povoado sírio próximo da fronteira com o Iraque. Na terça, Damasco ordenou o fechamento de uma escola e um centro cultural americanos em resposta ao bombardeio.   Nesta quarta, o Ministério das Relações Exteriores da Síria notificou oficialmente a diplomata encarregada da representação diplomática americana em Damasco sobre o fechamento das instituições. A advertência dos EUA aos seus cidadãos na Síria foi publicada no site da embaixada. O texto dizia para os norte-americanos evitarem manifestações e disse que a embaixada poderia ser fechada ao público "por um período não determinado."   O texto trazia a data de segunda-feira, mas só foi publicado nesta quarta. A Síria é contrária à ocupação realizada pelos EUA no Iraque. Já os militares norte-americanos afirmam que Damasco não faz o suficiente para evitar a passagem de extremistas na fronteira entre a Síria e o Iraque, agravando a instabilidade e a violência.

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