Khalil Hamra/Arquivo/AP
Khalil Hamra/Arquivo/AP

Síria lança ataques aéreos e combates chegam em Damasco

Vídeo postado mostra que rebeldes derrubaram um helicóptero militar nesta terça-feira

Reuters

27 de novembro de 2012 | 15h07

BEIRUTE - Aeronaves sírias atacaram cidades no norte e leste do país e mataram pelo menos cinco pessoas em um ataque a uma prensa de azeite de oliva, à medida que os confrontos assolavam a capital Damasco nesta terça-feira, 27, disseram ativistas da oposição.

Rebeldes enfrentaram forças do governo no subúrbio de Kfar Souseh, em Damasco, perto do centro da capital que abriga o governo do presidente Bashar Assad, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de monitoramento sediado na Grã-Bretanha.

O governo também lançou ataques aéreos sobre a cidade oriental de Deir al-Zor e sobre a cidade estratégica de Maraat al-Numan, na província de Idlib nesta terça-feira.

Houve combates no distrito Amr Baba, na cidade de Homs, uma área que foi invadida por tropas do governo em fevereiro, disse o Observatório. Combates ocorreram também em Alepo, Deir al-Zor, Deraa, e nas províncias de Idlib e Hama.

Um jato do governo disparou bombas barril - cilindros cheios de explosivos e gasolina - na prensa de azeite Abu Hilal, dois quilômetros a oeste da cidade de Idlib, disse o ativista Tareq Abdelhaq. Pelo menos cinco pessoas morreram e cinco ficaram feridas, informou o Observatório. Abdelhaq relatou que ao menos 20 foram mortos e 50, feridos.

As vítimas eram civis, segundo ativistas, que reconheceram que combatentes rebeldes estavam na área.

Helicóptero

Os rebeldes derrubaram um helicóptero militar nesta terça-feira, de acordo com imagens postadas no Youtube, que mostram um míssil atingindo a aeronave. Tais relatos são difíceis de verificar porque o governo restringe o acesso aos meios de comunicação estrangeiros.

40 mil mortos

Estima-se que 40 mil pessoas foram mortas na Síria desde março do ano passado, quando protestos inspirados pela Primavera Árabe eclodiram contra Assad, cuja família tem governado autocraticamente por quatro décadas. Assad tem contado com caças, helicópteros e artilharia para conter a revolta, que começou pacificamente, mas tornou-se uma guerra civil em grande escala.

Os rebeldes capturaram pelo menos cinco instalações do Exército e da força aérea nos últimos 10 dias, colocando pressão sobre as forças de Assad nas províncias do norte de Alepo e Idlib e na região petrolífera ao leste de Deir al-Zor.

A oposição está pedindo ajuda militar internacional, particularmente contra ataques aéreos, mas as potências ocidentais que apoiam a revolta estão receosas sobre unidades de radicais islâmicos entre os rebeldes.

A maioria das potências estrangeiras condena Assad, e a Grã-Bretanha, França e países do Golfo reconheceram um grupo de oposição, a Coalizão Nacional Síria, como único representante do povo sírio.

Mas Assad tem conseguido depender de seus aliados, especialmente a potência regional Irã, para resistir aos ataques internacionais. Rússia e China também vetaram três das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenam Assad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.