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Síria precisa de 'mudança real' para encerrar conflito, diz Brahimi

Enviado especial da ONU afirma que governo de transição deve ser estabelecido até novas eleições

Reuters

27 de dezembro de 2012 | 13h58

DAMASCO - O enviado internacional Lakhdar Brahimi pediu nesta quinta-feira, 27, uma mudança real na Síria para acabar com 21 meses de conflito e disse que um governo de transição deve ser estabelecido com plenos poderes para governar o país até as novas eleições.

Brahimi, falando em Damasco no final de uma viagem de cinco dias à Síria durante a qual se encontrou com o presidente Bashar Assad, não especificou quais medidas eram necessárias, mas disse que só uma mudança substancial atenderia às demandas dos sírios comuns.

"Certamente, ficou claro em Genebra, e está ainda mais claro agora, que a mudança que é necessária não é cosmética ou superficial", afirmou Brahimi, referindo-se a um encontro internacional sobre a Síria na Suíça há seis meses. "Eu acredito que o povo sírio precisa, quer e aspira a uma mudança genuína e todo mundo sabe o que isso significa", disse ele.

"Um governo deve ser criado com plenos poderes. Plenos poderes significa que este governo deve ter todos os poderes de Estado", acrescentou Brahimi. "Este governo vai manter o poder durante o período de transição."

Brahimi deve estar em Moscou no sábado e disse que também espera ter uma terceira reunião conjunta com autoridades dos EUA e da Rússia logo após duas rodadas de negociações no início deste mês. Mas ele negou o que disse serem relatos de um plano EUA-Rússia para acabar com o conflito em que 44 mil pessoas foram mortas.

O veterano diplomata, que assumiu como enviado à Síria em agosto no lugar do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, também disse que ainda não estava propondo um "plano completo" para resolver a crise. "O que é preferível é que nós não apresentemos tal plano até sentirmos que todos os lados concordaram com isso. Dessa forma, sua implantação é fácil. Se isso não acontecer, a outra solução poderia ser a de ir para o Conselho de Segurança (das Nações Unidas) para emitir uma resolução vinculativa para todos", disse ele.

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