Síria quer discutir Golã em Conferência da Paz nos EUA

Damasco diz que não há paz no Oriente Médio sem a sua participação no encontro marcado para o final do mês

KATE KELLAND, REUTERS

07 de novembro de 2007 | 09h54

Washington ainda não convidou a Síria para sua conferência sobre a questão palestina, mas se o fizer precisará confirmar que o futuro das Colinas de Golã estará na agenda, disse o vice-primeiro-ministro sírio nesta quarta-feira, 7.Não há tampouco uma data precisa para a conferência, a ser realizada em Annapolis, nos Estados Unidos. Mas fontes oficiais especulam que o evento ocorrerá provavelmente na última semana de novembro. "A Síria ainda não foi convidada", disse Abdullah Al Dardari à rádio BBC. "E quando tal convite (vier), e se tal convite vier, deve incluir uma pauta com as Colinas de Golã claramente identificada em tal pauta. Se não, por que deveríamos estar lá em Annapolis?" Sobre a possibilidade de haver um acordo de paz sem a Síria, Dardari disse: "Definitivamente não. Nada de paz sem a Síria no Oriente Médio". O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse na terça-feira que os EUA devem convidar a Síria e que a participação desse país, tradicional inimigo do Estado judaico, seria adequada. Olmert não citou pré-condições para a participação síria, mas aparentemente fez um alerta para que Damasco não tente discutir o futuro das Colinas de Golã, território sírio capturado há 40 anos por Israel durante a Guerra dos Seis Dias. Os dois países mantiveram negociações pela última vez em 2000, abandonadas diante da falta de acordo sobre Golã, um platô estratégico sobre o mar da Galiléia, principal reservatório israelense de água. As tensões bilaterais se agravaram em setembro, quando Israel bombardeou o território sírio, talvez destruindo uma instalação nuclear síria - sugestão que Dardari qualificou como "intrigante". "Definitivamente não se trata de um local nuclear. Era um local vago, isso é que, para ser honesto, é intrigante", afirmou. As relações entre EUA e Síria também são particularmente complicadas. Os EUA alertaram o governo de Bashar al-Assad a não interferir na política do Líbano, país onde Damasco manteve uma presença militar de 29 anos até 2005. A retirada ocorreu devido à reação internacional ao assassinato do ex-premiê libanês Rafik al-Hariri, que era contra a presença síria. Damasco nega envolvimento no crime e rejeita também as acusações de interferência política no Líbano, alegando que o principal motivo da instabilidade é o apoio dos EUA a políticos pró-Israel e anti-Síria.

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