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Síria recusa visto a trabalhadores humanitários, diz ONU

Organização das Nações Unidas tenta superar objeções para expandir operação humanitária

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16 de julho de 2012 | 13h57

GENEBRA - A Síria está se recusando a conceder vistos para trabalhadores humanitários ocidentais, mas a Organização das Nações Unidas está tentando superar as objeções para expandir a operação humanitária em face das necessidades crescentes, declarou um alto funcionário da ONU nesta segunda-feira, 16.

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O órgão mundial atualmente emprega 60 expatriados na Síria, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas são consideradas com necessidade de assistência em meio à escalada da violência, disse ele. "Temos uma série de vistos pendentes para o pessoal internacional de uma série de países ocidentais --Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, França e mais um ou dois-- que os vistos são recusados por causa de suas nacionalidades", afirmou John Ging a repórteres após presidir o quarto Fórum Humanitário Sírio.

"Isso é algo a que nós nos opomos fortemente e estamos trabalhando com o governo sírio para superar", disse ele após negociações a portas fechadas em Genebra com a participação do enviado da Síria Faysal Khabbaz Hamoui.

Funcionários da ONU estavam tratando da questão dos vistos "diariamente" com as autoridades sírias, que fora isso vêm mantendo um acordo fechado no início de junho para a expansão da operação de ajuda da ONU, disse ele.

Ging contou também que a colheita de trigo da Síria deve cair em mais de 700.000 toneladas este ano, citando o resultado de um levantamento realizado por duas agências da ONU, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), que deverá ser divulgado na próxima semana.

A Síria consome de 4 milhões a 5 milhões de toneladas de trigo por ano, mas as colheitas nos últimos seis anos têm ficado aquém disso, forçando o país a importar trigo. "Isso é algo com que precisamos estar preparados para lidar, porque vai haver menos trigo no mercado", disse Ging à Reuters.

O WFP --cujas rações alimentícias são distribuídas pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio-- tem como objetivo alimentar 850.000 pessoas na Síria em julho, ante 500 mil em junho, afirmou ele. "O principal desafio é a insegurança em terra e também uma escassez de financiamento", explicou Ging.

Dois recursos separados da ONU, 180 milhões de dólares para as necessidades humanitárias dentro da Síria e 193 milhões de dólares para ajudar os refugiados sírios que fugiram para o exterior, são apenas 20 por cento financiados, disse ele.

Cerca de 112.000 refugiados sírios já se registraram junto à agência de refugiados da ONU em quatro países --Líbano, Turquia, Jordânia e Iraque, informou o oficial da agência Panos Moumtzis a repórteres.

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