Omar Ibrahim/Reuters
Omar Ibrahim/Reuters

Síria registra novos episódios de violência entre militares e opositores

Forças de segurança dizem ter perdido dez homens em combates; seis civis morreram

Reuters

25 de novembro de 2011 | 16h14

BEIRUTE - Simpatizantes da oposição e militares da Síria morreram em novos episódios de violência nesta sexta-feira, 25, dia em que terminou o prazo dado pela Liga Árabe para que Damasco aceitasse a entrada de uma missão observadora para verificar abusos nos conflitos que ocorrem desde março no país.

 

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Os militares sírios afirmaram que 10 de seus homens, incluindo seis pilotos, foram mortos em um ataque a uma base da Força Aérea e que o incidente indica o envolvimento estrangeiro na revolta contra o governo do presidente Bashar Assad, que já dura oito meses.

As forças do governo mataram a tiros ao menos quatro manifestantes na capital, Damasco, que apelavam pela intervenção estrangeira para acabar com a repressão, afirmaram ativistas. Outros dois civis foram mortos em incursões a suas casas, disseram eles.

 

Na sexta-feira, expirou um prazo estabelecido pela Liga Árabe para que a Síria assinasse um acordo permitindo a entrada de monitores de paz no país. O governo, porém, não deu resposta. Ao mesmo tempo, a Turquia anunciou que não podia mais tolerar qualquer derramamento de sangue.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 3,5 mil pessoas foram mortas desde março, em sua maioria civis baleados enquanto saíam às ruas das cidades sírias pedindo o fim do governo de Assad.

De acordo com a iniciativa da Liga Árabe, a Síria concorda em retirar as tropas dos centros urbanos, libertar os prisioneiros políticos, iniciar o diálogo com a oposição e permitir a entrada dos monitores.

A violência não cessou e chanceleres árabes disseram no Cairo na quinta-feira que estudarão a possibilidade de impor sanções - incluindo a interrupção dos voos, a restrição do comércio e congelando os negócios com o banco central -, caso a Síria não concordasse com a entrada dos monitores. A Liga estendeu o prazo depois de ele ter expirado na sexta-feira, dizendo que esperaria até o final do dia para decidir o que fazer.

Oblíquo

O anúncio do ataque à Força Aérea pareceu ser uma resposta oblíqua. "Um grupo armado terrorista promoveu um malévolo complô assassino que martirizou seis pilotos, um oficial técnico e outros três militares em uma base da Força Aérea entre Homs e Palmyra", disse um porta-voz militar na televisão estatal. "Isso confirma o envolvimento de elementos estrangeiros e o apoio deles a essas operações terroristas em um esforço de enfraquecer a capacidade de nossas forças", afirmou ele.

O relato combina com o discurso do governo de que enfrenta uma insurreição armada de baderneiros apoiados por seus inimigos - e não um movimento pró-democracia pacífico inspirado pelas revoltas da Primavera Árabe que derrubou os governantes da Tunísia, do Egito e da Líbia este ano.

Um membro da oposição síria disse que o ataque foi uma emboscada contra um ônibus militar perto de Furqlous, 35 quilômetros a sudoeste de Homs. "Furqlous é uma região militar e não difícil para uma força guerrilheira insurgente escolher alvos ali", afirmou ele.

A televisão estatal também mostrou imagens de milhares de pessoas em uma manifestação no centro de Damasco "expressando a sua rejeição à decisão da Liga Árabe contra a Síria".

Após uma reunião em Moscou na quinta-feira, diplomatas da Rússia, da China e de outros três países com mercados emergentes dos Brics - Brasil, Índia e África do Sul - também advertiram contra uma intervenção estrangeira sem o apoio da

ONU

Uma fonte diplomática ocidental afirmou que o plano francês, com ou sem a aprovação de Damasco, pode ligar centros civis sírios às fronteiras da Turquia e do Líbano, para a costa mediterrânea ou a um aeroporto. Ele teria como objetivo transportar suprimento humanitário ou medicamentos aos civis.

O chanceler francês, Alain Juppé, disse que o plano não é uma intervenção militar, mas admitiu que comboios humanitários precisariam de proteção armada.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, um grupo de oposição com sede na Grã-Bretanha, afirmou que ao menos 47 pessoas foram mortas na Síria na quinta-feira, incluindo 16 soldados e 17 desertores do Exército, principalmente em torno da cidade de Homs e de Rastan.

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