Síria suspende cooperação com França por crise no Líbano

A Síria afirmou nesta quarta-feira queestá suspendendo a cooperação diplomática com a França emconsequência da crise política no Líbano, depois que o governofrancês tomou decisão semelhante. Paris acusou Damasco de não cumprir um acordo que poderiapermitir ao Líbano eleger finalmente um novo presidente eencerrar o boicote da oposição ao governo libanês. "Parece que os franceses querem culpar a Síria por seufracasso ... para alcançar uma solução para a crise", disse oministro de Exterior Walid al-Moualem a repórteres. "Emconsequência, a Síria decidiu interromper a cooperação." Depois de duas semanas de contatos com a Síria, opresidente francês, Nicolas Sarkozy, ordenou a seu governo quesuspendesse os contatos diplomáticos com o país, pelo queclassificou de fracasso de Damasco em mostrar que estava agindopara a busca de uma solução de consenso. Moualem disse que a Síria, que apóia a oposição libanesa,liderada pelo movimento xiita Hezbollah, contribuiu com açõespara alcançar o consenso, incluindo convencer políticos deoposição a aceitar o chefe do Exército, general MichelSuleiman, como presidente, posto que está vago desde novembro. A eleição presidencial foi adiada 11 vezes porque acoalizão anti-Síria e a oposição apoiada por Damasco não seentendem sobre a divisão de poder depois que Suleiman se tornarpresidente. O Parlamento tentará novamente elegê-lo presidente no dia12, mas parece improvável que isso ocorra. Moualem disse que a Síria concordou com a França em umacordo que daria à oposição direito de vetar o novo gabinete degoverno, mas afirmou que Saad al-Hariri, líder do blocomajoritário no Parlamento, se recusou a apoiar essa proposta. "Aqueles que pensam que a Síria vai pressionar a oposiçãolibanesa para que a maioria monopolize o poder estão seenganando", disse Moualem. Hariri descreveu os comentários de Moualem como "mensagensperigosas para o Líbano". "Receamos que se torne uma mensagemde ameaça e um plano para destruir a estabilidade interna",afirmou Hariri num comunicado. Em Paris, a porta-voz do Ministério do Exterior, PascaleAndreani, disse que o congelamento dos contatos do país com aSíria vai durar "até que a Síria demonstre sua boa fé e umpresidente com amplo apoio seja eleito no Líbano". A França tem liderado as ações de mediação de um acordo noLíbano e propôs ampliar o nível de cooperação econômica ediplomática com a Síria, em troca de sua ajuda. As relaçõesentre os dois países se deterioraram depois do assassinato doex-primeiro-ministro libanês Rafik al-Hariri, em 2005, que tevecomo consequência a retirada das forças sírias do Líbano depoisde uma presença de 29 anos no país. (Reportagem adicional de Francois Murphy em Paris; Editadapor Giles Elgood)

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