Síria tem mais um dia para evitar sanções da Liga Árabe

A Liga Árabe afirmou nesta quinta-feira que dará mais 24 horas à Síria para sinalizar sua aceitação à presença de monitores árabes no país, conforme prevê um plano destinado a acabar com oito meses de violenta repressão a protestos. Caso contrário, Damasco deve sofrer abrangentes sanções econômicas.

AYMAN SAMIR E DINA ZAYED, REUTERS

24 de novembro de 2011 | 16h55

A Liga Árabe, que geralmente evita punições aos seus Estados membros, tomou essa decisão numa reunião de nível ministerial, após o governo de Bashar al-Assad tomar violentas medidas contra os manifestantes, apesar de ter neste mês aceitado um plano de paz da Liga.

Em nota, a entidade regional disse estar informando a Organização das Nações Unidas e cobrando "as medidas necessárias de acordo com a Carta da ONU para apoiar o esforço da Liga Árabe no sentido de resolver a complicada situação na Síria."

Um diplomata disse que o objetivo dessa cláusula não é criar as bases para uma intervenção estrangeira, algo que os árabe rejeitam. Em março, a proposta da Liga para a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia acabou resultando uma resolução da ONU que legitimou bombardeios da Otan no país norte-africano.

O comunicado da Liga diz que a Síria tem até sexta-feira para assinar um protocolo relativo à presença de monitores, e que caso contrário uma comissão de ministros irá preparar sanções econômicas e sociais, a serem revistas no domingo por chanceleres do grupo.

"Não haverá reunião ministerial se a Síria concordar em assinar o protocolo", disse o representante do Egito, Afifi Abdel Wahab, a jornalistas após a reunião no Cairo.

A Liga Árabe pretendia inicialmente enviar 500 observadores, incluindo militares e representantes de organizações da sociedade civil.

Entre as possíveis sanções citadas pela Liga estão a suspensão de voos e de transações financeiras e comerciais, além do congelamento de contas bancárias. A nota promete evitar medidas que prejudiquem a população síria.

A Síria também poderá sofrer sanções posteriores, disse a Liga, caso "posteriormente viole os compromissos que (o protocolo) acarreta, e não pare os assassinatos ou não liberte os detentos."

A Síria tem usado tanques e soldados para reprimir manifestantes civis, e também para enfrentar insurgentes armados que participam do movimento contra Assad, no poder há 11 anos. A ONU diz que mais de 3.500 pessoas já morreram.

(Reportagem adicional de Marwa Awad)

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